segunda-feira, 12 de maio de 2008

HISTORIA DAS RELIGIÕES-PELA ORDEM QUE SURGIRAM NO MUNDO....

VEDISMO- é a denominação da mais antiga religião da Índia, que marcou a passagem do animismo e naturalismo primitivo para o Brahmanismo e o Hinduísmo.Tinham os mais antigos livros sagrados e as mais antigas entre as obras sânscritas, conforme os Hindus, cujos Brâmanes e Panditas conheceriam mais que ninguém. Seus ensinamentos, por milhares de anos, foram transmitidos só oralmente, e depois foram compilados nas margens do lago Mânasa-Sarovara, além dos Himalaias, no Tibete.
A compilação final coube a Veda-Vyasa, em 3100 AC, e foram escritos em uma forma tão antiga de sânscrito que são únicos, entre todas as obras, nessa forma. Hoje existem cinco livros, mas antigamente só havia três, conforme as antigas obras indianas:A compilação final coube a Veda-Vyasa, em 3100 AC, e foram escritos em uma forma tão antiga de sânscrito que são únicos, entre todas as obras, nessa forma. Hoje existem cinco livros, mas antigamente só havia três, conforme as antigas obras indianas:

* Braya Vidya - o livro da tripla ciência;
* Rgveda ou Rigveda - o livro dos hinos;
* Yajurveda ou Yadjurveda (“branco e preto”) - o livro das fórmulas recitadas durante os sacrifícios;
* Samaveda - o livro dos cânticos religiosos; e o mais recente,
* Atharvaveda - livro das fórmulas mágicas, dos exorcismos e encantações;
* Aranyaka - o livro das florestas.

O Upanishada - doutrina secreta sobre a transição entre a literatura védica e o hinduismo clássico - funda uma interiorização entre a alma humana e a alma profunda do universo. Sua imensa literatura, com dezenas de livros, milhares de poemas, hinos, lendas, mitos e narrativas, contém extrordinária beleza, grande saber e elevação espiritual, onde frases enigmáticas, indecifráveis, passíveis de todas as interpretações, juntam-se à páginas pobres de significação literária, moral e religiosa.

Sobre seus escritos, 50% eram especiais e 50% péssimo e de fraca qualidade.

O Vedismo tem 33 deuses, 11 do céu, 11 da terra e 11 do ar, em parte emancipados do culto da natureza e relacionados com a ordem do universo físico e moral, como Indra e Varuna, alguns ainda presos àquele culto, como Agni (fogo), Surya (sol), outros ainda ligados a conceitos abstratos, como Shaddha (fé) e Manyu (ira).

As relações homem-deuses, baseavam-se no sacrifício, onde o fogo (Agni) e a bebida obrigatória (Soma) tinham os papéis mais destacados. De objetos como Pramanta (bastão), Araní (espécie de cuia), e como da fricção do bastão na cuia eles criavam o fogo, veio a ligação do bastão (princípio masculino) com a cuia (princípio feminino), daí gerando a criança, criando a idéia do princípio da geração.

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BRAMANISMO - é a antiga filosofia religiosa indiana que formou a espinha dorsal da cultura daquela civilização por milênios. Persiste de forma modificada, sendo atualmente chamada de Hinduísmo.É um conjunto de concepções religiosas, sociais e políticas, oriundo do Vedismo, primitiva forma de religião dos hindus. Suas características principais são: crença na reencarnação, sistema de castas, naturalismo e individualismo. Brahman(ou Brame), Deus supremo, individual, encarnou-se sucessivamente em Brahma(Brama), Deus pessoal, Vishnu e Shiva, formando a trindade indiana chamada trimurti. Brahman teve quatro filhos que encarnavam as quatro castas hereditárias. No século III ou II antes de Cristo, o Bramanismo sofreu uma transformação e passou a ser o Bramanismo sectário ou Hinduísmo. Os princípios do Bramanismo foram estabelecidos pelos brâmanes no Código de Manu, imaginário personagem considerado o pai dos árias.

Ao longo do tempo sofreu modificações, desde os primórdios quando era constituída principalmente por fórmulas mágicas de propriedade exclusiva de famílias reais, como se vê nos primeiros livros do Rig Veda, até chegar à sofisticada expressão do Vedanta.

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O HINDUÍSMO - abrange várias crenças, práticas, filosofias e denominações, algumas religiosas e outras não. O Sámkhya (que significa número), por exemplo, é uma filosofia especulativa de carater exato, naturalista. A Ioga é a principal vertente prática deste rico manancial cultural, e originalmente não havia relações com religião alguma. Foi somente pelo séc. VIII d.C., com a uma grande difusão do Vêdánta pela Índia por Shankara, uma filosofia de caráter espiritualista, quase que uma religião, que a ioga adquire algum caráter espiritualista.Os Hindus acreditam em um espírito supremo cósmico, que é adorado de muitas formas, representado por deidades individuais como Vishnu, Shiva e Shakti. O Hinduísmo é centrado sobre uma variedade de práticas que são meios de ajudar o indivíduo a experimentar a divindade que está em todas as partes e realizar a verdadeira natureza de seu Ser.

O Hinduísmo, como religião, é a terceira maior do mundo, com aproximadamente um bilhão de adeptos (censo de 2005), dos quais aproximadamente 890 milhões vivem na Índia. Outros países com grande população hindu são o Nepal, Bangladesh, África do Sul, Sri Lanka, Ilhas Maurício, Fiji, Guiana, Indonésia, Malásia, Estados Unidos e o Reino Unido.
O Hinduísmo é considerado a mais velha religião ainda existente do mundo. Ao contrário de outras grandes religiões do mundo, o Hinduísmo não possui apenas um único fundador e é baseado em textos religiosos desenvolvidos por vários séculos que contém insights espirituais e fornecem um guia prático para a vida religiosa. Entre tais textos, os antigos Vedas são normalmente considerados os de maior autoridade. As outras escrituras incluem os dezoito Puranas, e os épicos Mahabharata e Ramayana. O Bhagavad Gita que está contido no Mahabharata, é um ensinamento amplamente estudado que nos dá uma destilação das verdades superiores dos Vedas.

Hinduísmo originalmente indicava uma região geográfica. Por esse motivo, alguns grupos indianos mais tradicionalistas defendem que a religião é mais adequadamente chamada de Sanatana Dharma, significando "Religião Eterna".

A teologia hinduísta se fundamenta no culto aos avatares da divindade suprema, Brahman. Particular destaque é dado à Trimurti - um trindade constituída por Brahma, Shiva e Vishnu. Pode parecer estranho para os padrões de uma cultura cristã, mas o culto direto aos membros da Trimurti é relativamente raro - em vez disso, costumam-se cultuar avatares mais específicos e mais próximos da realidade cultural e psicológica dos praticantes, como por exemplo Krishna, avatar de Vishnu e personagem central do Bhagavad Gita.
Embora se afirme ter sido na cultura hinduísta que tiveram origem três outras importantes religiões o Budismo, o Jainismo e o Sikhismo, os indólogos colocam o Jainismo como bem anterior ao Bramanismo que originou o Hinduísmo, e o Budismo guarda relação com o Jainismo. O Budismo, mesmo considerado com uma heresia do Hinduísmo, é acolhido por ele.

O Yôga que entra no Hinduísmo graças à célebre obra Yôga Sútra, de Patáñjali Sankhya-Yoga, ou mais precisamente, Sêshwarasámkhya-Brahmácharya Yôga, um Yôga naturalista e patriarcal, com uma tendência levemente teísta. Ele é responsável pelo surgimento do Yôga Clássico, e a adoção desta tradição ao Hinduísmo. Anterior a isso, o Yôga é considerado Pré-Clássico, possui características matriarcais e naturalistas, e consata ter surgido no povo Drávida, e ter sido criado por Shiva, que futuramente entra como divindade no Hinduísmo.

Talvez o espírito hindu, que não foi inspirado por um homem ou mulher em particular, possa ser melhor compreendido nos Rig Veda, a "mais antiga escritura religiosa do mundo." (1):

Sânscrito: ???? ??? ??????: ????? ??????
Transliteração: ekam sat vipraaha bahudaa vadanti
Português: "A verdade é única, embora os sábios a conheçam como muitas."

— Rig Veda (Livro I, Hino CLXIV, Verso 46)

Essencialmente, qualquer forma de prática espiritual seguida com fé, amor e persistência levará ao mesmo estado final de auto-realização. Portanto, o pensamento Hindu se distingue por encorajar enfaticamente a tolerância pelas diferentes crenças, desde que sistemas temporais não podem declarar ser a única compreensão da Verdade Transcendental.

Para os Hindus, essa idéia tem sido uma força ativa na definição do "Dharma Eterno". É para o Hinduísmo o que o infinito Ser Divino de Advaita é para a existência, permanecendo eternamente imutável e auto-iluminado, central e penetrante, a despeito de todo o caos à sua volta.
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JUDAÍSMO
A história judaica inicia-se há quatro mil anos, com estas palavras de Deus dirigidas a Abraão: "Vá para a terra que eu vou te mostrar ... farei de ti uma grande nação ... e em ti serão ben-ditas todas as famílias da terra" (Gênesis 12, 1-3). E mais tarde: "Seja íntegro e caminhe diante de Deus".

Com essas palavras são firmadas as bases do judaísmo: a posse de uma terra, a unidade do povo e o dever não apenas de pôr em prática a vontade de Deus e de ser íntegro, mas também de ser o arauto, o seu porta-voz na difusão da sua palavra, caminhando diante dele para levar benção a toda a humanidade.

Nessa benção está implícita a promessa da época messiânica, quando, sobre a terra, reinarão a paz e a harmonia porque todos os homens terão aceito a palavra de Deus e porão em prática o amor e a justiça para com o próximo.Deus estabelece com Abraão uma Aliança, prometendo que não o abandonará, nem sua família nem sua descendência; uma Aliança que se perpetuará de geração em geração através do ato da circuncisão, "sinal eterno de comunhão entre os judeus e Deus", sinal do pacto entre Deus e o seu povo.

Assim, Abraão deixa Ur, na Caldéia, para ir a uma terra cheia de incógnitas, a terra de Canaã, habitada por povos politeístas, apoiado numa promessa que não prevê nem riquezas nem previ-légios, mas que faz do povo judeu um povo "escolhido" por Deus para cumprir uma missão. Como narra a tradição, Abraão rejeita os ídolos e a prática imoral dos politeístas, para buscar um único Deus de amor e de justiça, criador de toda a humanidade. Só quando Abraão o pro-cura, Deus, que é sumamente justo e não escolhe ao acaso aquele que deve difundir a sua pala-vra, "desce" para encontrá-lo e confiar-lhe a missão.

Quando Abraão morreu, o desígnio divino, através de seus descendentes, continua a operar até mesmo durante o cativeiro no Egito. Deus, em virtude da Aliança, vela sobre seu povo e o liberta do cruel domínio dos faraós. Envia Moisés para livrar os judeus da escravidão e, sobre o Monte Sinai, renova com ele a Aliança estabelecida com Abraão. E todo o povo, num ímpe-to de confiança total, grita o seu consenso: "Nós faremos (o que Deus disse) e obedeceremos". Então, Deus deu a Moisés a Torah, o sinal da Aliança.


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ZOROASTRISMO:
Zaratustra, mais conhecido na versão grega de seu nome, Z????st??? (Zoroastres, Zoroastro), foi um profeta nascido na Pérsia (atual Irã), provavelmente em meados do século VII a.C. Ele foi o fundador do Masdeísmo ou Zoroastrismo, religião adotada oficialmente pelos Aquemênidas (558 – 330 a.C). A denominação grega ?????st??? significa contemplador de astros. É uma corruptela do avéstico Zarathustra (em persa moderno: Zartosht ou ?????). O significado do nome é obscuro, ainda que, certamente, contenha a palavra ushtra (camelo).
Nascimento de Zaratustra

Há muito tempo, nas estepes a perder de vista da Ásia Central perto do Mar de Aral, havia uma pequena vila de casas de adobe, onde vivia a família Spitama. Um dia, no sexto dia da primavera, um menino nasceu naquela família. A sua mãe e seu pai decidiram dar-lhe o nome de Zaratustra. Ao nascer, Zaratustra não chorou, pelo contrário, riu sonoramente. As parteiras, vendo aquilo, admiraram-se, pois nunca tinham visto um bebê rir ao nascer.

Na vila havia um sacerdote que percebeu que aquele menino viria a ser um revolucionário do pensamento humano e o que enfraqueceria o poder dos "donos" das religiões. Ele então decidiu tomar providências e procurou Pourushaspa, o pai de Zaratustra, com a seguinte conversa: "Pourushaspa Spitama, vim avisar-lhe. Seu filho é um mau sinal para a nossa vila porque riu ao nascer, ele tem um demônio. Mate-o ou os deuses destruirão seus cavalos e plantações. Onde já se viu rir ao nascer nesse mundo triste e escuro! Os deuses estão furiosos!".

Pourushaspa não queria ferir seu filho, mas o sacerdote insistiu e impôs uma prova. Na manhã seguinte Pourushaspa fez uma grande fogueira, e à frente de todos colocou Zaratustra no meio do fogo, mas ele não sofreu dano algum. O sacerdote ficou confuso.

Zaratustra foi levado então para um vale estreito e colocado no caminho de uma boiada de mil cabeças de gado, para ser pisoteado. O primeiro boi da boiada percebeu o menino e ficou parado sobre ele, protegendo-o, enquanto o resto passava ao lado e o bebê não sofreu um só arranhão. O sacerdote logo arquitetou outro plano. O menino Zaratustra foi colocado na toca de uma loba que, ao invés de devorá-lo, cuidou dele até que Dugdav, sua mãe, viesse buscá-lo. Diante de tantos prodígios o sacerdote ficou envergonhado e mudou-se da vila.

Ao crescer, Zaratustra peramburalava pelas estepes indagando-se: "Quem fez o sol e as estrelas do céu? Quem criou as águas e as plantas? E quem faz a lua crescer e minguar? Quem implantou nas pessoas a sua natural bondade e justiça?".

Um dia Zaratustra estava meditando às margens de um rio quando um ser estranho lhe apareceu. Ele era indiscritível, tal a sua beleza e brilho. Zaratustra perguntou-lhe quem era ele, ao que teve como resposta: "Sou Vohu Mano, a Boa Mente. Vim lhe buscar". E tomou-lhe a mão, e o levou para um lugar muito bonito, onde sete outros seres os esperavam.

A Boa Mente disse-lhe então: "Zaratustra, se você quiser pode encontrar em você mesmo todas as respostas que tanto busca, e também questões mais interessantes ainda. Ahura Mazda, Deus que tudo cria e sustenta, assim escolheu partilhar a sua divindade com os seres que cria. Agora, sabendo disso, você pode anunciar essa mensagem libertadora a todas as pessoas.”

Zaratustra contestou: "Por que eu? Não sou poderoso e nem tenho recursos!". Os outros seres responderam em coro: "Você tem tudo o que precisa, o que todos igualmente têm: Bons pensamentos, boas palavras e boas ações".

Zaratustra voltou pra casa e contou a todos o que lhe acontecera. A sua família aceitou o que ele havia descoberto, mas os sacerdotes o rejeitaram. Eles argumentaram: "Se é assim nada há de especial em nosso serviço, nada valem nossos sacrifícios e perderemos o poder que nos dão os deuses ciumentos e caprichos que servimos. Estamos sem trabalho e passaremos fome!". Decidiram, então, dar cabo da vida de Zaratustra.

Com sua boa mente ele entendeu que tinha que sair dali por uns tempos. Chamou seus vinte e dois companheiros e companheiras de primeira hora e fugiram com tudo o que tinham. Eles viajaram durante várias semanas até chegarem a um lugar cujo governante chamava-se Vishtaspa. Zaratustra procurou Vishtaspa e partilhou com ela a sua descoberta.

Vishtaspa respondeu ao seu apelo com uma recusa: "Por que haveria de crer nesse estranho? Meus deuses são, com certeza, mais poderosos que esse Ahura Mazda!".

Após dois anos tentando convencer Vistaspa, e enfrentando a mais cruel oposição, passando, inclusive, um tempo preso, um acidente com o cavalo de Vishtaspa ajudou a resolver a favor de Zaratustra esse impasse. À beira de morte, o cavalo tornou-se o pivot de todas as atenções. Vistaspa chamou sacerdotes, feiticeiros, médicos e sábios para salvar o seu cavalo. Juntos eles tentaram de tudo, inclusive oferecendo aos deuses dezenas de sacrifícios de outros cavalos. Além disso, brigaram entre si, fizeram intrigas, mas nada aconteceu, o cavalo de Vishtaspa só piorava. Zaratustra, que fora criado num ambiente rural, logo percebeu que ele fora envenenado. Procurando Vishtaspa ele sugeriu um remédio muito usado nesses casos em sua terra. Sem alternativas, embora descrente, Vishtaspa aceitou a idéia de Zaratustra e em dois dias seu cavalo estava de pé, sem sinal do doença.

Todos ficaram pasmos e acharam que Zaratustra tinha operado um milagre. Ele respondeu que havia apenas usado a sua boa mente e os conhecimentos que tinha adquirido em casa. Vishtaspa e sua família ficaram encantados com a honestidade e simplicidade de Zaratustra, e dispuseram-se a ouvi-lo de novo, dessa vez com coração e mentes desarmados. Em pouco tempo não só Vishtaspa e sua família haviam sidos iniciados, como também grande parte de seu povo.

Embora Zaratustra pudesse ter usado a ocasião da cura do cavalo de Vishtaspa para arrogar-se poderes sobrenaturais ele preferiu ser sincero, e foi isso o que de fato mostrou a Vishtaspa a sublime beleza e profundidade da mensagem.Vida de Zaratustra

Zaratustra, nascido de uma virgem, deu uma grande gargalhada ao nascer. A natureza inteira se regozijou com a sua vinda ao mundo. Desde tenra idade, ele possuía uma sabedoria extraordinária, manifestada em sua conversação e em sua maneira de ser. Aos sete anos já teria começado a cultivar o silêncio. A sua vida foi salva muitas vezes dos inimigos que queriam martirizá-lo a fim de que não chegasse à maturidade e cumprisse a sua missão divina. Aos quinze anos de idade Zaratustra realizou valiosas obras religiosas e chegou a ser conhecido por sua grande bondade para com os pobres, anciãos, enfermos e animais.

Dos 20 aos 30 anos, segundo narrativas que chegaram a nós, Zaratustra viveu quase sempre isolado, habitando no alto de uma montanha, em cavernas sagradas. Não ingeria nenhum alimento de origem animal. Em outros relatos, teria ido ao deserto, onde fora tentado pelo diabo, mas não sucumbiu à tentação, de modo semelhante a Jesus, nos 40 dias de provação no deserto. Após sete anos de solidão completa, regressou ao seu povo, e com a idade de 30 anos recebeu a revelação divina por meio de sete visões ou idéias.

Assim começou Zaratustra a sua missão aos 40 anos (a mesma idade em que o Zaratustra de Nietzsche iniciou a dele). Segundo os Masdeístas ele encontrou muita dificuldade para converter as pessoas à sua nova religião. Em dez anos de pregação teve somente um crente: o seu primo. Durante este período, o chamado de Zaratustra foi como uma voz no deserto. Ninguém o escutava. Ninguém o entendia.

Foi perseguido e hostilizado pelos sacerdotes e por toda a sorte de inimigos ao longo de dez anos. Os príncipes recusaram dar-lhe apoio e proteção e encarceraram-no porque a sua nova mensagem ameaçava a tradição e causava confusão nas mentes de seus súbditos. Com 40 anos, realizou milagres e preocupava-se com a instrução do povo. Converteu o rei Vishtaspa, que se tornou um fervoroso seguidor da religião por ele pregada, iniciando a verdadeira difusão dos ensinamentos de Zaratustra e de uma grande reforma religiosa.

Logo em seguida, a corte real seguiu os passos do rei e, mais tarde, o Masdeísmo chegou a ser a religião oficial da Pérsia. No império dos reis Sassânidas, principalmente no de Ardashir (227 a.C.), o chefe religioso era a segunda pessoa no Estado depois do imperador soberano, e este, inteiramente de acordo com o antigo costume, era admitido como divino ou semidivino, vivendo em particular intimidade com Ormuzd.

Aos 77 anos de idade ele teria morrido assassinado enquanto rezava no templo, diante do fogo sagrado. Segundo alguns relatos, o seu túmulo estaria em Persépolis.Cosmogonia

Na doutrina zaratustriana, antes de o mundo existir, reinavam dois espíritos ou princípios antagônicos: os espíritos do Bem (Ahura Mazda, Spenta Mainyu, ou Ormuz) e do Mal (Angra Mainyu ou Arimã). Divindades menores, gênios e espíritos ajudavam Ormuz a governar o mundo e a combater Arimã e a legião do mal. Entre as divindades auxiliares, como consta no Avesta a mais importante era Mithra, um deus benéfico que exercia funções de juiz das almas. No final do século III d.C, a religião de Mithra fundiu-se com cultos solares de procedência oriental, configurando-se no culto do Sol.

Arimã é representado como uma serpente. Criador de tudo que há de ruim (crime, mentira, dor, secas, trevas, doenças, pecados, entre outros), ele é o espírito hostil, destruidor, que vive no deserto entre sombras eternas. Ormuzd, no entanto, é o Criador original, organizador do mundo de modo perfeito.

Ahura Mazda é representado também como o divino Lavrador, o que mostra o enraizamento do culto na civilização agrícola, na qual o cultivo da terra era um dever sagrado. No plano cosmológico, contudo, ele é o criador do universo e da raça humana, com poderes para sustentar e prover todos os seres, na luz e na glória supremas.

Bem e Mal não são apenas valores morais reguladores da vida cotidiana dos humanos, mas são transfigurados em princípios cósmicos, em perpétua discórdia. A luta entre Bem e Mal origina todas as alternativas da vida do universo e da humanidade. A vitória definitiva de Ormuzde sobre Arimã só poderia ocorrer se Zaratustra conseguisse formar uma legião de seguidores e servidores, forte o bastante para vencer o Espírito Hostil, e expurgar o Mal do universo. Nesse sentido, Bem e Mal são princípios criadores e estruturadores do universo, que podem ser observados na natureza e encontram-se presentes na alma humana. A vida humana é uma luta incessante para atingir a bondade e a pureza, para vencer Angra Mainyu e toda a sua legião de demônios cuja vontade é destruir o mundo criado por Ahura Mazda.

A doutrina de Zaratustra é escatológica. De acordo com os seus preceitos, o mundo duraria doze mil anos. No fim de nove mil anos, ocorreria a segunda vinda de Zaratustra como um sinal e uma promessa de redenção final dos bons. Isso seria seguido do nascimento miraculoso do Saoshyant, equivalente ao Messias hebreu, cuja missão seria aperfeiçoar os bons para o fim do mundo, da história humana, enfim, para a vitória do Bem sobre as forças do Mal. A cada mil anos viria um profeta/messias (Saoshyant).

Assim, nos últimos três milênios, três Saoshyant preparariam a completude do grande ano cósmico. É neste sentido que Nietzsche menciona Zaratustra como aquele que compreendeu a História em toda a sua completude. Cada série de desenvolvimento da História seria presidida por um profeta, que teria seu hazar, seu reino de mil anos. O Zaratustra histórico, no entanto, anuncia a chegada do tempo em que surgirá da raça persa o Shah Bahram, o Senhor Prometido, o Salvador do Mundo, o Grande Mensageiro da Paz.

No final dos tempos haveria o julgamento derradeiro de todas as almas e a ressurreição dos mortos. Não fica claro se o inferno tem duração eterna, se os maus se agitarão eternamente "nas trevas". Nos Gathas, cantos de Zaratustra, consta também que o mal poderia ser banido para sempre do universo, com o nascimento de um novo mundo, física e espiritualmente perfeito, aqui na Terra. Não seria possível, assim, a coexistência de um mundo físico degradado e um mundo hiperfísico perfeito.

Os gregos enfatizaram, no profeta persa, mais a astrologia e a cosmologia do que o dualismo moral. Para eles, Zoroastro é um ser mítico, um astrólogo, legendário fundador da seita dos magos. Os aspectos cosmológicos, soteriológicos (relativos à parte da Teologia que trata da salvação do homem), teológicos e morais do Masdeísmo estavam contidos nos Pahlavi (principalmente no Denkard), livros baseados no Avesta. Mas esses textos estão perdidos.

Moral

O dualismo cósmico e teogônico do Masdeísmo está intimamente relacionado ao dualismo moral. Zaratustra, com a sua mensagem divina, provocou uma verdadeira transformação no modo de pensar da sua civilização, contrariando o tradicional pensamento dos sábios de sua época. Sua mensagem baseava-se nos Gathas, cantos entoados com o objetivo de serem um guia para a humanidade – continham o triplo princípio de boa mente, boas palavras e boas ações. O Bem e o Mal, para Zaratustra, manifestam-se também na alma humana, e a única forma de poder organizar o mundo e a sociedade é estando o Bem acima do Mal. Este não traz contribuição alguma para a construção de uma vida boa, já que impossibilita uma relação equilibrada entre ser humano, sociedade e natureza.

Zaratustra propõe que o homem encontre o seu lugar no planeta de forma harmoniosa, buscando o equilíbrio com o meio (natural e social), respeitando e protegendo terra, água, ar, fogo e a comunidade. O cultivo de mente, palavras e ações boas é de livre escolha: o indivíduo deve decidir perante as circunstâncias que se apresentam em determinado fato. A boa deliberação, ou seja, uma boa reflexão a respeito de cada ação faz surgir uma responsabilidade social para colaborar com o projeto que Deus propôs ao mundo. Os seres humanos, portanto, possuem livre-arbítrio e são livres para pecar ou para praticar boas ações. Mas serão recompensados ou punidos na vida futura conforme a sua conduta.

Os principais mandamentos são: falar a verdade, cumprir com o prometido e não contrair dívidas. O homem deve tratar o outro da mesma forma que deseja ser tratado. Por isso, a regra de ouro do Masdeísmo é: "Age como gostarias que agissem contigo".

Entre as condutas proibidas destacavam-se a gula, o orgulho, a indolência, a cobiça, a ira, a luxúria, o adultério, o aborto, a calúnia e a dissipação. Cobrar juros a um integrante da religião era considerado o pior dos pecados. Reprovava-se duramente o acúmulo de riquezas.

As virtudes como justiça, retidão, cooperação, verdade e bondade, surgem com o princípio organizador de Deus Ascha, que só se pode manifestar com o esforço individual de cultivar a Tríplice Bondade. Esta prática do Bem leva ao bem-estar individual e, conseqüentemente, coletivo. A comunidade somente pode surgir quando o individuo se vê como autônomo, e desse modo pode descobrir o outro como pessoa. O ego é valorizado como fonte para o reconhecimento do próximo. Cultivado de forma sadia, o ego torna-se forte e poderoso para o homem observar a si próprio como membro da comunidade e capaz de contribuir para o bom relacionamento harmonioso com os outros seres.

Por isso, eram incentivadas as virtudes econômicas e políticas, entre elas a diligência, o respeito aos contratos, a obediência aos governantes, a procriação de uma prole numerosa e o cultivo da terra, como está expresso na frase: "Aquele que semeia o grão, semeia santidade". Havia também outras virtudes ou recomendações de Ahura Mazda: os homens devem ser fiéis, amar e auxiliar uns aos outros, amparar o pobre e ser hospitaleiros.

A doutrina original de Zaratustra opunha-se ao ascetismo. Era proibido infligir sofrimento a si, jejuar e mesmo suportar dores excessivas, visto o fato de essas práticas prejudicarem a alma e o corpo, e impedirem os seres humanos de exercerem os deveres de cultivar a terra e de procriar. Essas prescrições fomentavam a temperança e não a abstinência. Assim, as exortações e interdições destinavam-se a proporcionar aos homens uma boa conduta, além de reprimir os maus impulsos.

Doutrina religiosa

As revelações e profecias de Zaratustra estão contidas nos Gathas, cinco hinos que formam a mais antiga parte livro do Masdeísmo, o Avesta. Os Gathas datam do final do segundo milênio a.C. Foram escritos numa língua do nordeste do Irã, aparentada ao sânscrito, o avestan gático. Originalmente, esses hinos eram transmitidos oralmente. Grande parte do Avesta original foi destruída, com a invasão de Alexandre Magno e com o domínio posterior do Islamismo. As escrituras sagradas do Masdeísmo, o Avesta ou Zend-Avesta, como se tornaram mais conhecidas no ocidente, significam "comentário sobre o conhecimento".

O Zoroastrismo é uma das religiões mais antigas e de mais longa duração da humanidade. Seu monoteísmo influenciou as doutrinas judaica, Cristãs e Islâmicas. Após o domínio Islâmico do Irã, o Masdeísmo passou a ser religião de uma minoria, que passou a ser perseguida pela nova religião hegemônica. Por isso, parte dos seguidores remanescentes migrou para o noroeste da Índia, onde foi estabelecida a comunidade Parsi. No Irã, permanece ainda a comunidade Zardushti. Atualmente, o número total de seguidores do Masdeísmo (Zoroastrismo) não chega a 120 mil, distribuídos em pequenas comunidades rurais. Por ser uma religião étnica, o Masdeísmo geralmente não permite a adesão de convertidos. Na atualidade há uma maior flexibilidade, devido à migração, à secularização e aos casamentos realizados entre etnias distintas.

Como já mencionado, a base da doutrina de Zaratustra é o dualismo Bem-Mal. O cerne da religião consiste em evitar o mal por intermédio de uma distinção rigorosa entre Bem e Mal. Além disso, é necessário cultivar a sabedoria e a virtude, por meio de sete ideais, personificados em sete espíritos, os Imortais Sagrados: o próprio Ahura Mazda, concebido como criador e espírito santo; Vohu Mano, o Espírito do Bem; Asa-Vahista, que simboliza a Retidão Suprema; Khsathra Varya, o Espírito do Governo Ideal; Spenta Armaiti, a Piedade Sagrada; Haurvatãt, a Perfeição; e Ameretãt, a Imortalidade. Estes deuses enfrentam constantemente as forças do Mal, os maus pensamentos, a mentira, a rebelião, a doença e a morte. O príncipe destas forças é Angra Mainyu, o Espírito Hostil, também conhecido como Arimã.

A adoração a Ahura Mazda ou Ormuz pode também ser chamada Mazdayasna (Adoração ao Sábio). O culto não requeria templos, pois Deus era representado pelo fogo, considerado sagrado e símbolo de pureza. A chama era mantida constantemente em altares, erguidos geralmente em lugares elevados das montanhas, onde se faziam oferendas. Os magos, detentores de segredos e de verdades reveladas, dirigiam os ritos e os cultos – são referidos na Bíblia, no Novo Testamento. O rei da Pérsia teria enviado a Israel sacerdotes do Zoroastrismo, que seguiram uma estrela até Belém, no intuito de encontrar o Salvador, ou Messias.

Zaratustra transmitira, aos magos e adeptos, os segredos e a verdade suprema que lhe foram revelados por Ahura Mazda por meio de um anjo chamado Vohu Manõ. Assim como o Cristianismo, o judaísmo e o islamismo, também no zoroastrismo a revelação divina é elemento essencial. A religião Masdeísta diferencia-se das existentes até então não só pelo dualismo Bem–Mal, mas também pelo caráter escatológico. Entre os seus dogmas, estão a vinda do Messias, a ressurreição dos mortos, o julgamento final e a translação dos bons para o paraíso eterno. Inclui também a doutrina da imortalidade da alma e o seu julgamento.

Conforme os seus méritos ou pecados, elas iriam para o mundo dos justos (paraíso), para a mansão dos pesos iguais (purgatório) ou para a escuridão eterna (inferno). Não sepultavam, incineravam ou jogavam os mortos em rios, mas ficavam expostos em altas torres a céu aberto. Os corpos dos justos, salvos da destruição, secariam; já os dos injustos seriam devorados pelas aves de rapina. Desse modo, Zaratustra pode ser visto como um dos primeiros teólogos da história por ter erigido um sistema de fé religiosa desenvolvido e estruturado.

Enquanto religião ética, o Masdeísmo possuía a missão de purificar os costumes tradicionais de seu povo a fim de erradicar o politeísmo, o sacrifício de animais e a magia. Com isso, o culto poderia atingir uma dimensão ético-espiritual elevada. Zaratustra pregava que o esforço e o trabalho eram atos santos. Eis algumas frases ou ditos a ele atribuídos:

* "O que vale mais num trabalho é a dedicação do trabalhador".
* "O que lavra a terra com dedicação tem mais mérito religioso do que poderia obter com mil orações sem nada fazer".
* "Aquele que diz uma palavra injusta pode enganar o seu semelhante, mas não enganará a Deus."
* "Deus está sempre à tua porta, na pessoa dos teus irmãos de todo o mundo."
* "O que semeia milho, semeia a religião. Não trabalhar é um pecado."
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BUDISMO

1) O ambiente em que o budismo nasceu


Nascido na Índia, o budismo desenvolveu-se em muitos outros países asiáticos, mas permanece a religião de uma minoria em sua terra de origem.

Os séculos VI e V antes de Cristo marcam a história humana com transformações que, até hoje, repercutem. Da China à Grécia, homens da religião e filósofos libertam-se de muitas tradições já superadas, para ir a fundo na busca do mistério da vida e do homem, de seu significado e de seu valor. É como o repentino reavivar de uma chama que parecia já estar apagada: o homem readquire confiança e questiona-se sobre o porquê da dor, da morte, do bem e do mal; não se contenta mais em repetir velhas formas mágico-religiosas e quer respostas mais convincentes às perguntas de sempre..

Confúcio na China, Sócrates e Platão na Grécia... na Índia, esse novo sopro, essa profunda renovação foi trazida pelo Buda.

O território em que viveu e pregou o Buda pertencia ao quebra-cabeça de pequenos estados em que estava subdividida a zona ao sul da cadeia do Himalaia até o Ganges e a leste de Delhi até Benares, conhecida como a "Região do Meio".

Esse território foi ocupado, antes do ano 1000 a.C., pelas populações árias, provenientes do altiplano do Irã, que desceram em direção à Índia, sobrepondo-se às populações locais. Sua religião era politeísta (isto é, acreditavam em muitos deuses) e consideravam muito as forças da natureza e as divindades guerreiras. A sociedade era dividida em castas rigidamente determinadas. A casta social dos guerreiros, e a casta dos sacerdotes desempenhavam o papel principal: estes administravam o culto e os sacrifícios, não considerando a religião como a expressão da fé viva de cada um, mas apenas como uma série de cerimônias. Só a oferta dos sacrifícios e a fiel observância dos deveres da própria casta asseguravam a assistência dos deuses e uma sorte feliz no futuro. E foi a religião dos dominadores que se tornou a mais importante.

O Sentido da Dor

Uma das características das crenças religiosas da época de Buda era a doutrina do "renascer" ou da "reencarnação" que consistia na convicção de que, depois da morte, o espírito volta, várias vezes, em outros corpos, subindo ou descendo na escala dos seres vivos (homens e animais), segundo o grau de bondade da própria conduta nas vidas precedentes, até a extinção do próprio carma.

O mais angustiante problema do homem sempre foi: "Por que sofremos ?". A cultura daquele tempo explicava que esse era devido, geralmente: às nossas culpas ou responsabilidades tais como doenças devidas ao excesso ou escassez de comida, alguma má ação, etc. Faltava explicar o fato de crianças ou pessoas muito boas sofrerem e morrerem sem motivo aparente. Procurava-se, então, a "culpa" numa vida anterior na qual estaria a causa daquele sofrimento.

O objetivo das reencarnações sucessivas era a purificação gradual até que o espírito não precisasse mais se reencarnar, podendo assim perder-se na única realidade de felicidade e paz.

A vida econômica da época não era ruim na "Região do meio": o terreno era fértil e a agricultura próspera, os comerciantes progrediam graças a uma boa rede de estradas e vias fluviais. Os reinos ora viviam períodos de aliança ora de guerra, mas não foram raros os casos de príncipes que governaram com sabedoria.

Portanto, o nascimento do budismo não é devido a um mal-estar econômico ou social, mas às limitações daquela religião, incapaz de satisfazer as exigências dos espíritos mais elevados.
Certamente, o Buda não foi o primeiro a perceber essa deficiência, mas ele evidenciou-lhe os aspectos negativos, criticando-os profundamente em sua raiz e procurando, sobretudo, uma resposta satisfatória às questões: "Por que existe a dor ? Por que viver, sofrer, morrer e renascer infinitas vezes ?".

Exatamente por isso, o budismo, no começo, não foi muito combatido: não apenas porque a casta dos sacerdotes não era ainda muito poderosa, mas também porque a nova doutrina tinha muitos pontos em comum com a tradição e não se percebiam as novidades que trazia. Quando se notou que essa abolia as castas e os sacrifícios tradicionais, então a oposição tornou-se forte a ponto de vencê-la. Por isso, o budismo, nascido na Índia, desenvolveu-se em muitos outros países asiáticos, mas permaneceu uma insignificante minoria em sua região de origem.

Entre a história e a lenda

É difícil tentar reconstruir a vida de Sidarta Gautama, conhecido como o Buda (o Iluminado), porque, ao redor de sua figura, a piedade popular elaborou, no decorrer dos séculos, muitas histórias recheadas de fatos lendários.

Muitos pensadores e missionários budistas comentaram essas narrativas, dando início aos sistemas filosóficos inspirados na doutrina de Gautama. Isso explica por que alguns estudiosos tenham até duvidado da existência histórica do Iluminado. Entretanto, a fé que anima o budismo (e é essa que queremos descobrir) não se contentou nunca com algumas cenas da vida do Buda, preferindo os fatos que realmente aconteceram.

O Buda que representa o veículo de salvação para milhões e milhões de homens é o da "mitologia". Detenhamo-nos sobre os momentos mais importantes de sua vida, para conhecer não apenas o que é histórico, mas também o que seus seguidores pregam.

Para sua reflexão:

1.º Existe alguma explicação para o sofrimento do mundo?
2.º Uma religião pode dar um sentido pleno ao sofrimento humano?
3.º Quais são as grandes angústias dos homens e das mulheres de hoje?

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CRISTIANISMO -

Franco Cagnasso
Revisão e atualização: Massimo Casaro

Cristianismo: Jesus ressuscitou!


O Filho de Deus se fez homem

Há dois mil anos os seguidores de Cristo levam o seu evangelho a todo o mundo, testemunhando o amor de Deus por todos.

Nas páginas seguintes queremos apresentar a religião que está nas nossas raízes, que alimentou nossa história, que impregna nossa cultura: o cristianismo. Mas faz sentido apresentar o cristianismo a leitores que são, provavelmente, todos cristãos, que frequentaram os cursos de catecismo? Não estamos arriscando de repetir coisas que todos já sabem?

Acreditamos que não. Acostumados a viver nele, a considerá-lo coisa de todos os dias, talvez nunca nos tenhamos questionado como a religião cristã é vista por quem a observa do lado de fora. Como um não-cristão julga nossa fé? O que o cristianismo tem em comum com as outras religiões e o que o difere delas? Se um não-cristão pedisse que falássemos daquilo em que cremos e que devemos viver, saberíamos lhe responder?
O cristianismo visto de fora


O cristianismo é uma religião entre as outras. Originou-se na Ásia onde se desenvolveram as principais religiões da humanidade : budismo, islamismo, confucionismo, hinduísmo; mais precisamente, surgiu na Palestina, na bacia do Mediterrâneo, como as religiões dos antigos gregos e romanos.

É antigo (quase dois mil anos de existência), mas não é a religião mais antiga: se o islamismo teve sua origem seis séculos depois, Buda nasceu seis séculos antes de Jesus e o judaísmo (da qual o cristianismo deriva) já tinha quase dois mil anos quando os primeiros cristãos começaram a levar o evangelho ao mundo.

O cristianismo apresenta-se também como uma religião nitidamente diferente das outras. Os cristãos estão convencidos que o próprio Deus quis se dar a conhecer, quis dar a saber que escolheu um dos inúmeros povos da terra (os judeus) para fazê-lo seu porta-voz, seguindo-o e amando-o de modo todo especial. Mas para dar-se a conhecer não se limitou a intervir na história desse povo e a fazer falar alguns de seus "enviados especiais" (os profetas), como crêem alguns judeus e muçulmanos; ele quis enviar seu Filho que se fez homem.

Deus veio à terra, andou pelos nossos caminhos, participou da nossa vida com suas alegrias e seus sofrimentos, aceitou ser condenado e morto cruelmente por um tribunal de homens, a fim de permanecer coerente, até o fim, com suas idéias e sua pregação. Assim, salvou toda a humanidade, reconciliando-a com Deus.

Mil rostos para um homem

Você já reparou quantas centenas de imagens de Jesus existem em nossas igrejas, nos livros de arte, nas capelinhas do nosso interior? E todas são diferentes porque nunca, de verdade, ninguém pintou o rosto de Jesus nem o descreveu.

Se você entrar numa igreja construída na época bizantina (séc. V-IX), verá magníficos mosaicos em que Jesus é representado numa posição rígida, austera, com os olhos muito grandes que incutem certo temor: os artistas bizantinos viam em Jesus sobretudo um Juiz que perscruta o coração dos homens, separando os bons dos maus.

Mas se entrar numa igreja construída em 1700 ou 1800, verá um Jesus com o rosto doce e triste, muitas vezes em atitude de oferecer aos homens o próprio coração. De fato, os artistas da época, viam Jesus sobretudo como o Deus que ama e perdoa, que está próximo de todos com a doçura de seu coração.

Quem tinha razão? Um e outro tinham razão. Realmente não se pode conceber que - com uma pintura ou escultura, ou mesmo com toda uma enciclopédia - se possa delinear de maneira completa a figura de Jesus que é o Filho de Deus. Nem os evangelhos têm a pretensão de dizer-nos tudo sobre ele.

Entretanto, ainda que de forma incompleta e pessoal, também nós devemos dar a nossa resposta ao amigo não-cristão que pergunta: "Quem é Jesus?"
Nasce a Igreja


Depois da ascensão, os discípulos viveram momentos de grande espera. Esperavam o dom que o Senhor ressuscitado havia lhes anunciado antes de subir aos céus: o Espírito Consolador que prometera durante a última ceia. E o Consolador, o Espírito Santo, iria transformá-los, reunindo-os numa unidade profunda, iniciando com eles uma nova história.

Com a vinda do Espírito Santo, a comunidade dos discípulos, que viveram com Jesus durante sua vida pública atingiu sua maturidade, tornou-se Igreja, isto é, família dos filhos de Deus, testemunha e encarregada de distribuir as riquezas da redenção. E começou o anúncio da boa nova (o Evangelho), que Jesus Cristo morreu e ressuscitou para a salvação de todos os homens. Nascera uma nova esperança para o mundo!

A difusão do cristianismo

Uma das ordens mais claras e precisas que Jesus deu a seus discípulos foi a de ir por todo o mundo, levando o anúncio da salvação. Ele mesmo havia percorrido centenas de quilômetros a pé, visitando dezenas de aldeias, falando a milhares de pessoas. Mas sua obra não podia estender-se por todo o mundo: voluntariamente ficou limitada à Palestina. Contudo, os discípulos iriam por toda a parte.

Os primeiros séculos

Na verdade, os primeiros cristãos tiveram algumas dúvidas sobre esse ponto, porque sua educação judaica tornava-os desconfiados em relação aos pagãos. Mas Pedro resolveu a questão, batizando ele mesmo toda a família de um militar romano. Desde então, não faltaram mais cristãos que se preocupassem com o anúncio da mensagem de Jesus. São os missionários.

O missionário mais famoso é Paulo de Tarso. Também Paulo era um judeu nascido fora da Palestina. Durante muito tempo nutriu uma acirrada antipatia pelos cristãos, a ponto de persegui-los de todas as formas. Um dia, justamente quando se dirigia à cidade de Damasco para prender alguém, teve uma visão em que Jesus o convidava a colocar-se a seu serviço. Convertido, o novo cristão logo iniciou uma atividade incansável, realizando inúmeras viagens por todo o Mediterrâneo, provavelmente até a Espanha. Para anunciar o Evangelho, Paulo chegava às cidades pagãs da Grécia, da Ásia Menor e das ilhas e fixava-se num lugar até que conseguia formar uma primeira comunidade cristã, ainda que pequena; aí então, partia para ir pregar em outros lugares. Paulo atuava de acordo com o chefe dos apóstolos, Pedro, embora nem sempre tivessem as mesmas idéias.
Ambos morreram em Roma, condenados à morte pelo imperador Nero.

Jesus havia dito aos seus discípulos: "Perseguiram a mim, também perseguirão a vocês". E assim aconteceu. Logo começaram as dificuldades que se prolongaram até a ponto da emissão de um decreto pelo governo romano, ordenando a todos os cristãos que renunciassem à própria fé. Na verdade, os pagãos temiam que eles fossem rebeldes, ateus e praticantes de cruéis rituais mágicos.

Assim, os primeiros três séculos da história cristã estão marcados por numerosas perseguições que, porém, nunca conseguiram esmorecer a difusão do anúncio.

No total, parece que, por volta do ano 300, o número de cristãos chegava a 5 ou 6 milhões no Oriente e cerca de 2 milhões no Ocidente. Um século depois, havia 10-12 milhões no Oriente e 4-6 milhões no Ocidente. Enquanto isso, o imperador Constantino reconhecia o direito de os cristãos praticarem livremente sua religião. Isso facilitava muito o anúncio do Evangelho, mas, com o passar do tempo representou um grande risco: se, por um lado, os cristãos, pouco a pouco, foram se tornando numerosos, de outro, muitos pagãos convertiam-se não por convicção, mas por conveniência ou até interesses políticos. Tal fato causou graves danos ao cristianismo que, na realidade, não se deve ligar aos interesses terrenos, porque o reino de Deus não é desta terra.

Encontros e desencontros: os bárbaros ...

O império romano já começava a desagregar-se sob os duros e contínuos golpes das populações provenientes do norte da Europa (os assim chamados "bárbaros"). Entre eles, os primeiros a aceitarem - em massa - o cristianismo foram os francos, ainda que não seja correto dizer que, desde o princípio, tivessem compreendido bem a mensagem de Jesus: às vezes, para obrigar os mais resistentes a serem batizados, as autoridades recorriam à força...

Também os povos da Irlanda e da Inglaterra logo se aproximaram do cristianismo: no ano 401, Patrício, um jovem britânico, desembarcava na costa irlandesa, escravo dos piratas. Em poucos anos, ele se tornaria o apóstolo da ilha que seria conhecida, pelos séculos e até hoje, por seus florescentes mosteiros e por seu espírito missionário. Realmente, dois séculos depois, vastas regiões da Europa continental foram percorridas por monges irlandeses que pregavam um renascimento do cristianismo e difundiam o ideal monástico. Na Inglaterra, o principal pregador da mensagem de Jesus foi o romano Agostinho, enviado junto com outros monges pelo papa Gregório Magno, em 596, para evangelizar aquela região.

... e o islã

Mas, a partir do século VII, o cristianismo não era mais o único que difundia uma religião que pregava um só Deus: Maomé, o fundador do islamismo, morreu em 632 e, em poucos anos, seus sucessores divulgaram sua mensagem em toda a Arábia e pela costa Mediterrânea.

O islã exerce uma forte atração sobre os pagãos politeístas; além disso, sua difusão é facilitada por uma série de espetaculares vitórias militares dos árabes, que despertaram temor em todos os mais poderosos reinos europeus. Desse modo, o cristianismo recua: muitas comunidades cristãs do norte da África são submetidas e desaparecem, na Ásia Menor as lutas se multiplicam e muitos cristãos passam para o islamismo.

Assim, enquanto o império do Oriente decai e passa para o domínio estrangeiro, o exército dos francos detém o avanço árabe nos Pirineus. Por muito tempo, a Espanha e a Sicília ficaram nas mãos dos muçulmanos.

Esses fatos contribuem para criar uma inimizade profunda e duradoura entre cristãos e muçulmanos e também os seguidores de Jesus, muitas vezes, se esquecem que o anúncio cristão deve ser levado com a força do amor e da verdade e não com a guerra.

Pela Europa

Mas se na África e no Oriente há graves dificuldades, não faltam missionários em outros lugares. Particularmente interessante é, por exemplo, o trabalho de dois irmãos, Cirilo e Metódio, (séc. IX) que evangelizaram muitos locais da Europa oriental. O papa João Paulo II, em 1985, dedicou-lhes uma encíclica (carta dirigida a todos cristãos do mundo) em que evidencia a grande importância que os dois irmãos tiveram na história cristã, cultural e política de toda a Europa. Caracteriza a ação de ambos um bom conhecimento da língua eslava e a preparação de uma liturgia adequada às populações locais, com a tradução dos textos.

Da Europa para a Ásia e as Américas

Os séculos seguintes vêem um lento progresso do cristianismo no norte e no leste da Europa e surgem dificuldades com os muçulmanos, a ponto de os cristãos decidirem realizar as "cruzadas", expedições militares que arrebanhavam homens de todas as nações católicas, que, contudo, tiveram pouco sucesso.

O século XIII caracteriza-se por algumas corajosas expedições missionárias na Ásia. Um franciscano italiano, Giovanni da Pian del Carpine, vai até às poderosas e temidas terras dos mongóis, para levar uma carta de paz do papa e obtém a liberdade de culto para os cristãos.

Após algumas expedições de franciscanos e dominicanos em várias regiões da Ásia, o papa Nicolau IV organiza outra, confiando-a a Giovanni da Montecorvino que vai as regiões mais extremas da China e da Mongólia. Outro franciscano, Odorico da Pordenone, vai ajudá-lo em Pequim, desenvolvendo mais de 33 anos de peregrinação missionária na Ásia.

No final do século XIV, a Europa é quase totalmente cristã, enquanto ainda são poucos os progressos na África e crescentes as dificuldades de sobrevivência das comunidades asiáticas.

Sucessos e fracassos

O século XVI marca um grande progresso na difusão do cristianismo, mas, nem sempre, os métodos são evangélicos.

Espanhóis e portugueses exterminam populações inteiras da América Latina, destruindo civilizações e escravizando os que conseguem capturar.

Na maioria das vezes, disfarçam sua sede de poder e de ouro, afirmando querer levar o cristianismo aos "infiéis". O batismo é dado com superficialidade e negligência, sem a preocupação de deixar uma verdadeira liberdade de escolha. O mesmo acontece com os escravos provenientes da África.

No século XVII, jesuítas, dominicanos e franciscanos atuam em muitas regiões asiáticas, segundo o exemplo de Francisco Xavier que, um século antes, trabalhara especialmente na Índia e no Japão. Nas Filipinas, desembarcam os dominicanos; na Índia os jesuítas experimentam, entre mil dificuldades, novos métodos para adaptar a mensagem cristã à mentalidade, aos usos e à filosofia indiana; outro jesuíta, Antonio de Andrade, em 1624 chega aos confim do Tibete, onde fica por seis anos. Entre não poucas dificuldades, os missionários na China progridem ...

Na América do Sul, os missionários se opõem, com frequência e decididamente, aos métodos desumanos usados pelos dominadores europeus em relação às populações locais. Os jesuítas iniciam uma forma realmente original e inovadora de atividade social e missionária: os governos permitem que eles fundem uma espécie de "estados", chamados reducciones (reduções), em que podem se organizar - como querem - com as populações locais. A primeira dessas reducciones surge em 1610 e, cento e cinqüenta anos depois, já existem 33, distribuídas num vasto território, com um total de 300 mil índios. A vida dessas comunidades é organizada de forma muito democrática, para aqueles tempos: elege-se um presidente da república, a propriedade dos bens é comum, a jornada de trabalho é de seis horas e a semana, de cinco dias. Essas extraordinárias comunidades vivem em contínuas dificuldades, enfrentando a oposição daqueles que queriam aproveitar dos índios, em vez de ajudar. Infelizmente, tudo foi destruído com a expulsão dos jesuítas em 1768.

No século XVIII, missionários de várias ordens religiosas percorrem a América do Norte e do Sul, a Ásia, a África e a Oceania, realizando, muitas vezes, verdadeiros prodígios de adaptação e coragem.

A hora da África

Há uma decidida renovação das missões no século XIX. Governos como os da Inglaterra, França, Alemanha e Holanda assumem uma postura de neutralidade ou de benevolência em relação aos missionários que, entre 1850 e 1940, conseguem caminho aberto em quase toda a África, Índia e Indochina. Nascem em várias nações institutos que têm como único objetivo o envio de pessoas às terras de missão; um desses é o P.I.M.E..

Os exploradores europeus se aventuram pelo interior do continente africano; alguns, como o famosíssimo Livingstone, são como missionários, outros abrem o caminho aos missionários que vão às populações ainda desconhecidas.

As relações com os muçulmanos finalmente mudam e os cristãos tentam - junto a eles, mas com pouco sucesso - a apresentação pacífica do anúncio cristão.

Entretanto, grandes foram os progressos missionários entre as populações animistas da África "negra": de leste a oeste do continente, formam-se promissoras comunidades cristãs.

Evidentemente, tudo isso vai acontecendo com muitas dificuldades e, por vezes, em meio a perigos decorrentes do clima e da hostilidade das pessoas. As jovens Igrejas, assim como os cristãos dos primeiros séculos, enfrentam perseguições e contam seus primeiros mártires: assim ocorre em Uganda, na China, na Coréia, etc.

Os progressos realizados pelo cristianismo orientam a geografia religiosa de um novo modo: no século XX, pode-se dizer que as religiões animistas vão desaparecendo rapidamente, porém o cristianismo raramente consegue penetrar nas outras grandes religiões. São raras as conversões entre as populações islâmicas, budista, hindu e xintoísta; as grandes religiões estão, diretamente, uma diante da outra e devem procurar um modo de conviver em paz, sem deslizar na hostilidade recíproca, mas sem renunciar a sua identidade.
Igreja Ortodoxa

Sergio Bradanini

Hoje em dia é comum afirmar que as divisões entre os cristãos remontam à época da Igreja dos Apóstolos, mas isso não corresponde à verdade, pois é suficiente uma leitura simples e superficial dos textos do Novo Testamento, para constatar o fato de que estes mesmos textos são frutos de uma experiência pluralista e diversificada do cristianismo primitivo.

Prova disso são os vários modelos de Igreja que o Novo Testamento apresenta como expressão da mesma experiência de fé, a partir da pessoa de Jesus Cristo morto e ressuscitado. Podemos lembrar sumariamente os 3 modelos mais significativos diferentes entre si por motivos ambientais, sociais e culturais.


1.º A Igreja de Jerusalém está profundamente enraizada no ambiente judaico com sua cultura e suas tradições religiosas e litúrgicas. Temos aqui essencialmente cristãos provenientes do Judaismo que, a partir da novidade de Jesus Cristo, vivem sua fé sem deixar de ser judeus.

2.º A Igreja de Antioquia apresenta pela primeira vez uma experiência de comunidade mista:
cristãos provenientes do judaismo e cristãos provenientes do paganismo expressam juntos a própria fé. A convivência evidentemente não é fácil, mas a comunidade permanece unida apesar de muitas e graves tensões. A superação dessas tensões e conflitos internos, fez com que esta Igreja se abrisse às missões do mundo grego. Com efeito, é da comunidade de Antioquia que iniciam as viagens missionárias de Paulo.

3.º A Igreja de Corinto é composta de cristãos provenientes do paganismo. Trata-se de uma das mais exuberantes comunidades que o NT apresenta, com todos os problemas, tensões, e novas perspectivas de evangelização no coração do mundo grego.

As divisões propriamente ditas, começam a surgir a partir do final do I século em diante, a partir de interpretações diferentes de doutrinas e de tradições cristãs: basta pensar no "docetismo" (doutrina que afirmava ser o corpo de Jesus Cristo apenas aparente, mas não real) ou no "monofisismo" (doutrina que ensinava que em Cristo a natureza divina absorve a natureza humana, de modo que em Jesus Cristo só permanece uma natureza, a divina) ou ainda mo "arianismo" (doutrina que afirmava que Jesus não era Deus).

No entanto é nos séculos XI e XVI que acontecem as duas divisões mais graves da Igreja: no primeiro caso temos a separação da Igreja Oriental-Grega com sede em Constantinopla, da Igreja Ocidental-Latina com sede em Roma; no segundo temos a ruptura, no mundo cristão ocidental, entre a Igreja Católica e a Igreja da Reforma (Protestante). Nasceram assim respectivamente a Igreja Ortodoxa e as Igrejas Protestantes.

Origens da Igreja Ortodoxa

É preciso lembrar que o cristianismo se expressou antes de tudo em língua grega (todos os textos do NT foram escritos em grego), mas a partir do II século, por motivos de circunstâncias geopolíticas da época, tornou-se necessária a língua latina. Esta era a língua oficial utilizada para evangelizar as províncias ocidentais do império romano, e a própria Roma, onde o Apóstolo Pedro sofreu o martírio, provavelmente em 67 d.C. (a data historicamente falando permanece indefinida, a única certeza da morte de Pedro é que aconteceu durante a perseguição de Nero, entre 64 e 68 da nossa era). Por isso, aos poucos, nasceram e se estabeleceram várias diferenças entre os 2 principais ramos do cristianismo dos primeiros séculos, que estendiam sua influência nas 2 regiões do mundo com suas tradições bem distintas: o Ocidente Latino centralizado no modelo do império romano, e o Oriente Grego, mais diferenciado, permanecendo ligado às tradições colegiais da Igreja Primitiva.

A Igreja Ocidental, onde o latim era a língua oficial, conseguia manter-se de pé, diante de poderes políticos antagonistas que surgiam em toda a parte.

Aos poucos ela se tornou o único elemento comum de um mosaico de Estados, cujas fronteiras permaneciam flutuantes, e o seu chefe, o Bispo de Roma, que nos Concílios tinha o título de Patriarca do Ocidente, tornou-se um personagem político essencial. No primeiro milênio, o primado de Pedro, isto é do Bispo de Roma, não teve muitas ocasiões de ser posto em prática, pois o que prevalecia era a colegialidade entre os bispos, ao passo que no segundo milênio a tendência inverteu-se.

As Igrejas do Mediterrâneo oriental ( Grécia, atual Turquia, Síria, Palestina, Egito) eram agrupadas em quatro patriarcados: Constantinopla, Antioquia, Jerusalem e Alexandria. Cada patriarcado compreendia várias dioceses, mas o patriarca só tinha primazia de honra em relação aos demais bispos.

Durante muito tempo, essas Igrejas orientais tiveram dificuldades com as ocidentais a respeito da disciplina, da liturgia e até de como explicar algumas das verdades ensinadas por Jesus. Além disso, o Patriarca de Constantinopla não queria aceitar a autoridade do bispo de Roma e achava que todos os bispos tinham a mesma autoridade em suas Igrejas.

Essas divergências tornaram-se mais evidentes quando o Papa Leão III consagrou imperador do Ocidente a Carlos Magno (800 d.C): finalmente os Gregos e os Latinos tinham cada um seu imperador, e as respectivas Igrejas se enraizavam num quadro político diferente. A ruptura era inevitável, mas demorou bastante tempo para acontecer.

A primeira crise aconteceu (em 853) quando a Igreja dos Francos, que surgiu sobre as ruínas do império romano do Ocidente, graças ao gênio de Carlos Magno, decidiu adotar uma versão do "Credo" em que um arcebispo espanhol do VII séc., Isidoro de Sevilha, tinha acrescentado uma palavra. Com efeito o artigo do "Credo" no que diz respeito ao Espírito Santo, redigido em Nicéia em 325, assim rezava: "Creio no Espírito Santo que é Senhor e dá a vida, ele procede do Pai" Isidoro de Sevilha acrescentou "e do Filho" (em latim "Filioque"). A iniciativa foi considerada herética da parte de Fócio, uma das figuras mais representativas da Igreja bizantina, que alguns anos mais tarde seria nomeado Patriarca de Constantinopla.

A segunda crise aconteceu quando Inácio, Patriarca de Constantinopla, foi deposto por intrigas de palácio e em seu lugar foi nomeado pelo governo imperial, um homem de vasta cultura: Fócio. Inácio recorreu ao Papa Nicolau (858-867) o qual declarou inválida a nomeação de Fócio. Este por sua vez convocou um Sínodo e declarou deposto o Papa (867), mostrando com isso que não reconhecia o Papa como suprema autoridade da Igreja. Entretanto no mesmo ano mudou o governo, o novo imperador, Basílio I reconduziu Inácio à Sede Patriarcal e fez as pazes com Roma. Na ocasião foi feito o Concílio de Constantinopla, o oitavo "ecumênico", (869-870) que condenou Fócio e confirmou Inácio. Após a morte de Inácio (877), Fócio foi nomeado Patriarca pelo mesmo imperador que antes o tinha deposto. Fócio convocou logo um Concílio, rejeitando o de 869, negando assim todo tipo de jurisdição do Papa a respeito da Igreja do Oriente.

A separação das duas Igrejas se tornou definitiva quando em 1053 o Patriarca de Constantinopla, Miguel Cerulário, começou a hostilizar os latinos que estavam em Constantinopla, mandando fechar todas as igrejas e mosteiros. O Papa Leão IX mandou como seus representantes para resolverem o problema, o bispo Humberto da Silva Cândida, e o abade de Montecassino Estêvão de Lorena. O imperador os recebeu amigavelmente, mas o Patriarca os excluiu de sua comunhão. No dia 16 de julho de 1054, foi selada a separação definitiva mediante um ato de excomunhão recíproca.

A reaproximação entre Católicos e Ortodoxos aconteceu recentemente durante o Concílio Vat. II (1962-1965): com efeito, no dia 7 de dezembro de 1965, durante a cerimônia de encerramento, o Papa Paulo IV e o Patriarca Atenágoras levantaram a excomunhão recíproca de 1054.

Em resumo, podemos dizer que a diferença entre católicos e ortodoxos gira em torno da questão da autoridade do Bispo de Roma. Fora isso, a nível de doutrina cristã e a nível de organização há quase total reconhecimento e recíproca aceitação, evidentemente dentro das respectivas culturas e tradições.

A Igreja ortodoxa caracteriza-se pela comunhão de igrejas locais, independentes (= autocéfalas). Sua comunhão é determinada: pela única fé formulada pela Igreja nos primeiros 7 Concílios Ecumênicos; pela celebração da mesma liturgia, e enfim pela mesma estrutura, isto é o sistema sinodal. Entre todas as Igrejas locais, o Patriarcado de Constantinopla tem um 'primato' de honra.

A revolução de Jesus


Eis algumas das idéias mais "revolucionárias" de Jesus:





- Os pobres, os perseguidos, os que choram, os que têm "fome e sede" de justiça são bem-aventurados, pois verão a Deus e possuirão o Reino dos céus. Doutro lado, os ricos, os poderosos, as pessoas felizes devem prestar muita atenção, pois já receberam sua parte de bens.

- A oração deve ser insistente e confiante, mas não tem valor pelo número de palavras que são ditas nem pelo que se pede, visto que Deus conhece já tudo antes que lho peçamos. O importante é buscar a vontade de Deus e traduzi-la na prática.

- Deus alegra-se mais por um pecador que se arrepende e volta a Ele, do que por 99 justos que não precisam de arrependimento e que sempre foram bons.

- Quem acha a sua vida, perde-la-á; quem, pelo contrário, perdê-la, por causa d'Ele, acha-la-á.

- Deus dará a seus fiéis uma recompensa, mas para fazer isso não vai levar em consideração os méritos de cada um, calculados de acordo com a justiça humana, mas dará a cada um o que ele quiser e, no fim, nós veremos que os últimos serão os primeiros e os primeiros os últimos.

- Deus julgará os homens pelo modo de como eles se amaram e ajudaram aqui na terra, pois o amor de deus e o amor dos homens devem andar juntos.

- Quem é chefe deve servir a seus "súditos".

- Quem quer seguir a Jesus deve ser pobre, desprendido da família, disposto a sofrer e a ser perseguido e não deve buscar os seus próprios interesses.
Um livro para os cristãos


O cristianismo também tem seu livro sagrado, a Bíblia.

A Bíblia cristã divide-se em "Antigo Testamento"e "Novo Testamento": o primeiro é o conjunto de livros escritos pelos judeus antes de Cristo , e, em seguida, aceitos também pelos cristãos; o segundo, compreende os textos escritos pelos Apóstolos ou seus discípulos.

O "Novo Testamento" reúne 27 livros, todos escritos durante o primeiro século depois de Cristo e divididos como segue:

- os quatro evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João;
- o livro dos Atos dos apóstolos, escrito por Lucas; as cartas de Paulo, divididas em vários grupos: as principais, assim chamadas pela sua grande importância (uma carta aos Romanos, duas aos Coríntios, uma aos Gálatas); um segundo grupo, formado pelas cartas do cativeiro, nas quais se fala da prisão de Paulo (uma carta aos Efésios, outra aos Filipenses, outra aos Colossenses); um terceiro grupo formado pelas duas cartas aos Tessalonicenses, que são as mais antigas; um quarto grupo formado pelas , já não endereçadas, como as precedentes, a uma comunidade, mas a uma pessoa determinada:
duas cartas a Timóteo, uma a Tito e, por último, a breve carta a Filemon;
- a carta aos Hebreus, escrita, talvez, por um discípulo de Paulo;
- as cartas "católicas": uma de Tiago, duas que são atribuídas a Pedro, três de João e uma que tem o nome de Judas, o "irmão de Tiago";
- o livro do Apocalipse de João que encerra a série dos escritos que formam o "Novo Testamento".

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ISLAMISMO-

A história


Maomé, o profeta

Maomé nasceu em Meca, entre 567 e 572, no seio da importante tribo dos coreicitas. Perdeu os pais ainda muito pequeno e foi adotado pelo avô e, depois da morte deste, pelo tio Abu Talib, cujo filho, Ali, será um dos primeiros discípulos do futuro profeta e quarto califa. Atingindo a maioridade, dedicou-se às atividades comerciais e a tradição lembra que por causa de sua honestidade, virtude bastante rara no ambiente de Meca, recebeu o apelido de al-Amin, isto é, o confiável. Por causa da profissão que exercia, Maomé teve a oportunidade de estar em contato com viajantes árabes que voltavam à pátria, provenientes de muitos países e, graças à sua atenção aos costumes e à religiosidade dos outros povos, formou, pouco a pouco, um grande patrimônio de conhecimentos que, em parte, reunirá em sua pregação.

Nos séculos anteriores ao nascimento do islamismo, a península arábica conheceu, além do paganismo das tribos beduínas, também o cristianismo e o judaísmo, que exerceram certa influência na formação ética e moral de Maomé, visto que ele se colocou no elenco dos profetas bíblicos, a quem Deus havia se revelado.

Por volta dos 29 anos, Maomé casou-se com Khadigia, uma rica viúva de Meca para quem trabalhava. Ela foi de fundamental importância na vida do profeta porque, além de ser a primeira confidente das visões do marido, sustentando-lhe a natureza divina, tornou-se o mais forte apoio nos primeiros anos de pregação.

A revelação, segundo a narração dos Hadith, tradições das falas e dos feitos do profeta, foi um fato inesperado, que aconteceu quando Maomé já era um adulto que se opunha à religiosidade pagã e politeísta das tribos árabes e dela fugia. Uma noite, depois de um retiro solitário nos montes, o anjo Gabriel apareceu ao profeta e ordenou-lhe: "Recite!" ( a primeira palavra do Alcorão), exortando-o a pregar em nome de Alá, o único Deus. Desde então, Maomé recebeu continuamente mensagens de Deus que todos muçulmanos consideram verídicas, e, depois de algumas hesitações, começou a defender o conteúdo da revelação.

De Meca a Medina

A pregação do profeta do islamismo, puramente religiosa, não ambicionava subverter a sociedade e nem modificar radicalmente os ritos tradicionais como, por exemplo, a peregrinação à caaba, que foi reinterpretada do ponto de vista islâmico. Contudo, Maomé encontrou a hostilidade da aristocracia de Meca, visto que a adesão ao islamismo de todos os árabes, como ele desejava, impunha o fim do exasperado particularismo tribal. A piedade e a generosidade do profeta fizeram com que os primeiros convertidos ao islamismo viessem das classes mais humildes, provocando na oligarquia dominante o medo de alguma desordem social.

Em 622, o profeta foi obrigado a transferir-se a Yatub, que receberá depois o nome de Medinat al Nabi, termo árabe que significa a Cidade do Profeta, mais simplesmente conhecida como Medina. Ali viviam quatro tribos pagãs, três judaicas e duas cristãs. O ano da Hégira, isto é, da emigração para Medina, é considerado pelos muçulmanos como o ponto de partida para a contagem dos anos da nova era inaugurada pelo profeta. Maomé, depois de ter conseguido acabar com a discórdia das diversas facções urbanas, pode pregar livremente e criou uma grande comunidade. Segundo a sua palavra e o seu exemplo, nasceram os costumes rituais e as primeiras leis do islã. Em pouco tempo, o profeta reuniu em torno de si tantos fiéis que pode desafiar os habitantes de Meca e, em 630, entrou triunfalmente em sua cidade natal.

Maomé morreu em 632, em Yatrib (ou Medina), enquanto a comunidade dos fiéis a Alá crescia, a olhos vistos, em toda a Arábia. Nasceu uma nova religião, o islã (ou islamismo), palavra que em árabe significa "submissão", e muçulmanos, ou seja, aqueles totalmente submissos a Deus, foram chamados os seus fiéis.A história depois de Maomé


Com a morte de Maomé, que não havia deixado nenhuma indicação a respeito de sua sucessão, a sobrevivência do islamismo deveu-se em parte a Omar, companheiro do profeta, que investindo Abu Bakr com a autoridade antes detida por Maomé, deu origem à figura do califa, um "vigário" ou sucessor do profeta.

Depois dos primeiros quatro califas, após graves lutas internas que deram origem à facção xiíta (talvez o mais importante dos movimentos cismáticos muçulmanos), tomou o poder o governador da Assíria, iniciando a dinastia omíada (661 - 750), que deslocou a capital para Damasco e tornou essa cidade o novo centro da vida política e cultural.

À dinastia omíada seguiu-se a dinastia abásida (750 - 1258), que tomou o poder através de um verdadeiro golpe de estado. Também de origem árabe, os abásidas estenderam a presença do islã até a Índia e transferiram para o Iraque seu centro do poder, fundando em Bagdá a nova capital.

Desde o início do império dos abásidas, contudo, andaram se formando as dinastias independentes, sendo o emirado de Córdoba (Espanha) a primeira de todas. Depois do ano mil, houve a primeira onda de povos provenientes da Ásia: os turcos seljúcidas, islamizados no sec. X. Estes ocuparam um lugar relevante na história, não apenas como conquistadores, mas como adversários do ocidente. Foi contra a barreira por eles criada ao redor da Terra Santa que se levantou a primeira cruzada, causa do choque entre oriente e ocidente que durará por alguns séculos.Os novos chefes de estirpe turca tomaram o nome de sultões (aqueles que detêm o poder) para manter a distinção entre a autoridade deles e a do califa, sucessor de Maomé, que continuava em Bagdá.

A segunda onda de povos da Ásia central é a dos mongóis que, no início do século XIII, avançou contra os países islâmicos ocidentais. Com Gengis Khan (morto em 1227) surgiu um poderosíssimo império que se estendeu por grande parte da Ásia. Em 1258, Bagdá caiu sob a pressão mongol, provocando no mundo islâmico um choque comparável ao provocado pela queda do Império Romano do ocidente.

No fim do século XIII, a dinastia turca dos otomanos tomou o poder substituindo-se aos seljúcidas. O Império Otomano tornou-se, depois da queda de Constantinopla em 1543, uma potência mundial durante quatro séculos, contribuindo muito eficazmente para a difusão do islamismo.Fé e moral

Todos os conteúdos da fé e da doutrina islâmica encontram-se no Alcorão e na Suna, que indicam as condições necessárias e suficientes para ser um bom muçulmano, ou seja, a adesão e a observância dos cinco pilares do islã. Estes são os fundamentos da religião que são observados por todos os muçulmanos de todos os tempos e países, mesmo pelos considerados cismáticos.
Os cinco pilares


* O primeiro desses preceitos é a profissão de fé, isto é, o testemunho de que "não há outro deus a não ser Deus e que Maomé é o enviado de Deus". Esse primeiro ponto confirma a fé no Deus único e na autenticidade da missão profética de Maomé. Este é visto como o depositário da definitiva revelação divina.

O islamismo tem grande consideração pela tradição profética judaico-cristã e no Alcorão podemos encontrar figuras como Abraão, Moisés e Jesus.

A profissão de fé é a primeira das boas obras e sem essa nenhuma outra obra pode ser boa nem válida para obter o acesso ao paraíso. Pensando nos dez mandamentos da tradição judaico-cristã, percebe-se facilmente o paralelo entre os primeiros três e o primeiro dever de todo muçulmano.

* O segundo pilar é a oração: considerada como um rito litúrgico, difere da oração espontânea que pode ser feita livremente em qualquer momento do dia. A oração ritual deve ser recitada cinco vezes ao dia: ao amanhecer, por volta do meio-dia, à tarde, ao cair do sol e à noite.

A oração obrigatória é dirigida pelo idhan, o chamado feito pelo muezim, aquele que convida à oração do alto do minarete. Algum tempo após a primeira chamada à oração, o muezim procede a uma segunda. Nesse momento, o fiel que fez as abluções, inicia o rito da oração.
A verdadeira oração subdivide-se em diversas fases, chamadas Rak'ah: antes de tudo, expressa-se a intenção de querer fazer uma determinada oração, por exemplo, a do meio-dia. Deve-se pronunciar, portanto, com as mãos levantadas até os ombros, as palavras Allah Akbar ("Deus é o maior") e executar assim o primeiro grupo de ações e palavras que constituem a Rak'ah:



1.ª permanecendo na mesma posição, é preciso recitar a primeira Sura do Alcorão, chamada "abertura" no fim da qual se pronuncia a palavra amin, equivalente ao nosso amém e se acrescentam dois ou mais versículos do Alcorão;

2.ª dobra-se o corpo para frente, de modo que as mãos cheguem à altura dos joelhos, fazendo assim uma espécie de inclinação;

3.ª volta-se à posição inicial;

4.ª começa, neste momento, a prostração, durante a qual os joelhos, depois as mãos e o rosto devem tocar o chão;

5.ª volta-se à posição de joelhos, com as mãos sobre as coxas;

6.ª faz-se uma nova prostração e com esta termina a primeira Rak'ah.


Em cada posição devem ser rezadas determinadas orações. Outras devem ser rezadas no fim, de joelhos.

A oração mais importante é a segunda, que acontece por volta do meio-dia, e a da sexta-feira. O significado do termo árabe que designa a sexta-feira é "dia da reunião" de todos os muçulmanos na mesquita, de forma solene, para a oração do meio-dia.Durante a reunião solene da sexta-feira, são lidos trechos escolhidos do Alcorão. Por isso, a sexta-feira tornou-se o dia festivo dos muçulmanos, ainda que não comporte a obrigação de suspender as atividades de trabalho ou outras ações particulares, como acontece com o sábado para o judeu.

Para desenvolver corretamente a oração ritual não é necessário dirigir-se à mesquita. Qualquer lugar pode ser adequado, contanto que não haja um contato direto com o terreno, fonte de impureza: um simples tapete, corretamente voltado para Meca, é um espaço ritual puro onde se pode rezar devidamente, contanto que não haja imagens de seres humanos ou animais. Há também "liturgias" especiais como para funerais, circuncisão, etc.

* O terceiro pilar é a esmola ritual. Trata-se de uma contribuição financeira, uma espécie de um dízimo que o poder público tem o direito de impôr para utilizar em obras de beneficiência ou de interesse público.

O valor moral da esmola é grande: aprender a proteger os pobres, tanto em suas necessidades materiais como no estado psicológico de prostração e frustração em que se encontram; reduzir o número dos desempregados e dos mendigos (sobre esta explicação de princípio se encaixam as tentativas das reformas sociológicas dos países muçulmanos em desenvolvimento); assegurar os fundos para a difusão do islamismo; fazer com que os pobres não odeiem os ricos; purificar os ricos do "cupim" da avareza ...

* O quarto pilar da religião islâmica é o jejum. O Alcorão impõe a obrigação severa do jejum por um mês inteiro, o do Ramadã, mês do calendário lunar em que foi revelado o livro sagrado. As crianças e aqueles que estão doentes ou em viagem podem ser dispensados dessa penitência, contanto que façam o jejum assim que for possível, pelo mesmo número de dias. É uma observância difícil que é concebida como um ato de domínio de si e como gesto de obediência a Deus. O jejum muçulmano é muito rigoroso, porque durante o dia, do amanhecer às primeiras sombras da noite, não se pode comer nada nem beber um copo de água, não se deve fumar, nem aspirar um perfume e nem manter relações sexuais: todos os sentidos devem ser completamente mortificados.

Durante a noite, ao invés, tudo se torna lícito, sempre nos termos prescritos pelo Alcorão.

O jejum, caindo num mês lunar, muda no início de cada ano e somente após trinta e três anos recai na mesma data. Pode cair no inverno ou em pleno verão: neste segundo caso, quando o dia é mais longo e a temperatura mais elevada, é particularmente mais pesado, especialmente para aqueles que trabalham. O jejum deveria ser observado por todos com escrupuloso empenho, porque o Alcorão afirma que enche a alma do observante de fidelidade ao dever e de temor reverente, além disso habitua o homem à constância em suportar a adversidade e faz conhecer aos ricos os sofrimentos da fome e da sede, tornando-os compassivos em relação aos pobres.

Sabe-se, contudo, que o processo de secularização, em alguns países islâmicos, faz com que essa prática ritual seja hoje descuidada por muitos muçulmanos, especialmente jovens.

* O quinto e último pilar do islã (não obrigatório porque não acessível a todos, especialmente do ponto de vista econômico) é a peregrinação a Meca. Ir em peregrinação à cidade santa de Meca, ao menos uma vez na vida, é o desejo mais intenso de todo muçulmano piedoso, além de uma prescrição corânica bem clara. Também a peregrinação é regulada por todo um minucioso ritual, como, por ex., dar sete voltas ao redor da caaba e tocar e beijar a pedra negra, um bloco de pórfiro escuro, vermelho-violáceo, já venerada pelas tribos árabes antes da pregação de Maomé.

Mais do que o aspecto ritual, a peregrinação assume, aos olhos do muçulmano piedoso, o aspecto de uma verdadeira renovação espiritual que se consegue com o fervor das orações. A peregrinação tem também o valor de reforçar os vínculos no seio da comunidade muçulmana por meio do encontro entre todos os irmãos. No clima de expansão do novo islamismo, o afluxo dos peregrinos vem assumindo, nos últimos tempos, proporções cada vez maiores, o que causa problemas às autoridades da Arábia Saudita.

Em Meca, todos os muçulmanos sentem-se verdadeiramente irmãos e a túnica branca do peregrino iguala todos diante de Deus; como a peregrinação tirou o homem de sua casa e de sua família para ir à casa de Deus, assim a morte vai tirá-lo de sua casa e dos seus familiares para ir ao paraíso.Outros preceitos


Existem ainda outros preceitos mais gerais com penas para os vários pecados. Um manual de moral elementar apresenta uma lista de pecados graves. Os dois mais graves, que Deus não perdoa, são: associar outras divindades a Alá e o suicídio. Em seguida: a apostasia (abandono da religião); acusação de mentira feita a Maomé; insultos a Maomé; homicídio fora da legítima defesa; fornicação; adultério; faltas contrárias à natureza; faltas graves contra os pais; calúnia grave; usura e outros.

Os pecados são uma desobediência à lei positiva de Deus e os mesmos permanecem enquanto o culpado não se arrepende e não muda de comportamento.

O casamento não é indissolúvel entre os muçulmanos. O homem pode despedir a mulher sem ter que dar satisfação a ninguém. A mulher pode pedir o divórcio se isto constar no ato do contrato do casamento.

A poligamia é permitida, à condição que o número de esposas não seja superior a quatro. A poligamia é praticada atualmente por uma minoria.

Também fazem parte da doutrina islâmica - e são muito observadas - algumas prescrições alimentares. A esse respeito o Alcorão diz: "São proibidos para vós alguns animais mortos (isto é, alimentar-se de animais já mortos por doença ou morte natural), o sangue, a carne de porco, os animais que foram abatidos sem a invocação do nome de Deus e aqueles sufocados ou mortos a pancadas..."(V,3). Também são proibidas as bebidas alcoólicas: "O vós que acreditais! Na verdade, o vinho, o maysir (uma espécie de jogo de azar), as pedras de idolatria, as flechas adivinhatórias são porcarias, obras de Satanás; evitai-as e que possais prosperar. Porque Satanás quer, com o vinho e com o maysir, lançar inimizade e ódio entre vós e retirar-vos da menção do santo nome de Deus e da oração" (V, 90-91).

O uso do véu que cobre o rosto da mulher havia desaparecido. Está voltando, sob a influência dos movimentos fundamentalistas.A outra vida


No fim do mundo, os corpos ressuscitarão para serem julgados. O paraíso será o prêmio para os bons e o inferno o castigo para os maus. O Alcorão descreve o paraíso como um lugar onde os bons desfrutarão de prazeres materiais, entre os quais lindas virgens, as huris, reservadas a eles. Há, contudo, muçulmanos que interpretam o que está prometido no Alcorão como se fosse um simbolo de uma felicidade mais espiritual. O máximo da felicidade consistirá no fato de saber que quem está lá agradou a Deus.
As divisões no islamismo


Nem todo o mundo muçulmano se reconhece no credo sunita. De fato, o bloco unitário dos primeiros fiéis desfez-se rapidamente, dando origem a algumas confissões muito próximas à ortodoxia e outras que podem ser consideradas quase estranhas aos princípios fundadores do credo muçulmano.
Não os primeiros, mas os mais numerosos a afastar-se da suna foram os seguidores de Ali, o quarto califa, primo e genro do profeta: esses achavam que o califado deveria permanecer no interior do clã de Maomé, depositário do brilho da revelação divina, e, portanto, rebelaram-se: nasceu assim a facção xiíta.

Os xiítas consideram-se os mais fiéis à tradição do que qualquer outro mulçumano e julgam-se proprietários da verdadeira suna. A diferença fundamental diz respeito à figura do califa: no mundo xiíta (que hoje é majoritário no Irã , enquanto no Iraque, no Libano e na Síria constitui uma significativa minoria) temos a figura do imã, nome que designa o descendente de Maomé que deve conduzir a comunidade. O imã xiíta, diferentemente do califa, não pode pecar e detém um saber sobre-humano. Por isso, os xiítas substituem o "igma", isto é, o consenso da comunidade (uma das bases da suna), pela autoridade do imã. A facção xiíta tem uma espécie de clero hierarquizado (ainda que não consagrado), único caso no mundo islâmico, cuja figura mais importante é o aiatolá, o "sinal de Deus".Cristo no islã


O Alcorão traz muitos trechos referentes a Jesus, considerado o maior profeta antes de Maomé, ainda que se diga que a figura de Cristo que emerge do Alcorão deriva, em parte, dos episódios narrados nos evangelhos apócrifos.

As afirmações que a ele dizem respeito apresentam-no com estes títulos: mensageiro de Deus; palavra de Deus depositada em Maria; espírito emanado por Deus; simples servo de Deus; enviado de Deus.

De Cristo são lembrados também vários milagres, mas a preocupação de vários momentos do Alcorão é, sobretudo, negar a Cristo o título de Filho de Deus e, mais ainda, de Deus. Realmente, para o islamismo, a unicidade de Deus é um conceito tão absoluto e radical que a possibilidade da encarnação não pode ser considerada e o mistério da Trindade é visto como uma tentativa de corrupção dessa unicidade.

Existe uma sura do Alcorão, a Sura do culto sincero, que exprime de maneira exemplar a profundidade do monoteísmo corânico: "Diga: Ele é Único. Deus o Eterno. Não gerou nem foi gerado, ninguém é semelhante a Ele" (CXII).

Por isso, existe tamanha distância entre muçulmanos e cristãos. Aliás, os cristãos são considerados corruptores da genuína mensagem de Cristo e os quatro evangelhos canônicos (Mateus, Lucas, Marcos e João), mesmo sendo conhecidos, não são aceitos.

O islã, além de não crer na divindade de Cristo, nega também sua morte na cruz. Maria, sua mãe, é muito considerada e celebra-se seu parto virginal.

Diz o Alcorão: "E no Livro, lembre-se de Maria, quando se afastou de sua gente e foi em direção ao Oriente e colocou, para proteger-se deles, um véu. E nós lhe enviamos o nosso Espírito que lhe apareceu sob a forma de um homem perfeito. Ele lhe disse: 'Eu sou o mensageiro do teu Senhor para dar-te um menino puro'. E ela: 'Como poderei ter um filho se nenhum homem jamais me tocou e não sou uma mulher má?' Disse: 'Assim será. Porque o teu Senhor disse: Coisa fácil é para mim e nós, certamente , faremos dele um Sinal para os homens, um ato de clemência nossa: isto é coisa decretada.' E ela o concebeu e retirou-se com ele para um lugar distante" (XIX, 16-22).
Comparação dos Calendários



- A contagem islâmica do tempo baseia-se no ciclo lunar que, diferentemente do solar, tem 364 dias em vez de 365, por isso, não somente os meses não correspondem mais às estações, mas a cada 33 anos, cria-se a diferença de um ano entre a data muçulmana e a nossa, que é solar. Considerando também que o califa Omar fixou a data da era muçulmana partindo da data de emigração de Maomé para Medina (16 de julho de 622), para encontrar a relação entre os nossos anos e os da era muçulmana, é preciso usar estas tabelas:


E = ano de Hégira (da emigração)
G = ano gregoriano (nosso calendário)

G = E + 622 - E 33

e inversamente

E = G - 622 + G - 622 32

- Uma última particularidade do calendário muçulmano refere-se ao dia. O dia muçulmano não começa como o nosso, depois da meia-noite, mas como o judaico, logo após o pôr-do-sol. O dia festivo dos muçulmanos é sexta-feira, dia da solene oração pública, que acontece quando o sol está a pino.Pequeno vocabulário do islamismo


Aiatolá: a figura mais importante do clero na facção xiita.
Alá: nome com que se designa o único Deus no islamismo.
Alcorão: livro sagrado do islamismo. Contém as reveleções feitas a Maomé.
Caaba: templo muçulmano em Meca e pedra sagrada que se encontra nesse templo.
Califa: o sucessor de Maomé.
Hadith: as tradições das falas e dos feitos do profeta Maomé.
Imã: aquele que preside a oração. Entre os xiitas, é um descendente de Maomé, guia supremo da comunidade.
Islã: nome que indica a religião que tem Maomé como fundador. A palavra significa "submissão" (a Deus).
Meca: cidade da Arábia, berço e centro do islamismo.
Mesquita: lugar de culto dos muçulmanos.
Minarete: torre que se encontra junto à mesquita.
Muçulmano: nome que indica o seguidor do islamismo. A palavra significa: "totalmente submisso a Deus".
Muezzin: funcionário da mesquita que convida os fiéis à oração.
Nabi: profeta.
Ramadã: mês em que os muçulmanos devem jejuar.
Sharia: a lei islâmica.
Sultão: nome usado entre os turcos para indicar o chefe islâmico.
Sufismo: a mística muçulmana.
Suna: a verdadeira tradição islâmica baseada na biografia de Maomé e nos contos sobre as falas e os feitos de Maomé e dos primeiros quatro califas ortodoxos.
Sura: cada capítulo do Alcorão.
Xiismo: facção muçulmana fiel a Ali, genro de Maomé, e que pretende que um descendente do Profeta dirija sempre a comunidade.
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