quarta-feira, 9 de abril de 2008

Bioética e Peter Singer

Bioética e Peter Singer

Desde que Peter Singer, filósofo australiano e fundador da Associação
Internacional de Bioética, foi proibido de apresentar suas idéias na Alemanha,
o tema da liberdade de expressão vem sendo discutido entre os pesquisadores
da bioética.
As idéias de Peter Singer são um exemplo do que há de mais provocativo no campo
da bioética, em especial pelas implicações de seus argumentos sobre aborto e
eutanásia para as comunidades de pessoas portadoras de deficiência.
Mas, exemplarmente, as sociedades internacionais de bioética não apenas
reconhecem a importância científica de Singer, como lhe conferem espaços
de destaque em seus encontros internacionais, tal como aconteceu em Brasília,
onde ele foi um dos expositores principais.
O destaque de Singer é, ao mesmo tempo, resultado de seu trabalho de pesquisa,
ensino e divulgação da bioética, mas também resposta à intolerância que insiste
em perseguir alguns temas da bioética.
O aborto é um desses exemplos. Não há civilidade, tampouco tolerância no debate
sobre a moralidade do aborto em muitos países. Esse é um dos temas mais urgentes
para a bioética brasileira e, certamente, o que menor progresso se fez na última
década.
Em uma das sessões do encontro internacional feminista de bioética, foi feita
a sugestão de que a bioética brasileira assumisse uma agenda prioritária de
atuação e o tema do aborto foi, consensualmente, considerado urgente.
Mas para discutirmos a moralidade do aborto no Brasil é preciso que também
reconheçamos o compromisso já assumido pelas comunidades internacionais de
bioética: o do respeito à liberdade de expressão.
A bioética é um campo de pesquisa e intervenção política que se caracteriza
pelo conflito moral.
Por isso, não é fácil discutir os temas bioéticos, mas esse é um exercício ético
fundamental a qualquer estado democrático e laico, como é o Brasil.





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