quarta-feira, 9 de abril de 2008

Memória, memória reprimida e falsa memória

Memória, memória reprimida e falsa memória

Memória é a retenção e recordação de experiencias. Uma memória reprimida é uma que se diz

ser retida na mente inconsciente, onde pode afectar pensamento e acção mesmo se

aparentemente se esqueceu a experiência em que a memória se baseia. Uma falsa memória é uma

memória que se baseia no ouvir dizer ou sugestão. A falsa memória difere da memória errónea.

Esta baseia-se em experiencias reais que são recordadas incorrectamente. Falsa memória são

memórias de ter experimentado algo que na realidade nunca se experimentou.

Quão fiável e correcta é a memória? Enganamo-nos muitas vezes ao pensar que nos recordamos

correctamente de algo. Estudos sobre a memória mostram que muitas vezes construimos as

nossas memórias após o facto, que somos susceptiveis a sugestões de outros que ajudam a

preencher os buracos na nossa memória de um dado evento. É por isso que um policia, ao

investigar um crime, não deve mostrar uma fotografia de um só individuo à vitima e perguntar

se esta reconhece o assaltante. Se é apresentado à vitima com uma linha de suspeitos para

identificar e ela escolhe o individuo cuja fotografia lhe tinham mostrado, não há maneira de

saber se ela se está a recordar do assaltante ou da fotografia.

Outro facto interessante sobre a memória é que estudos mostram que não há uma correlação

significativa entre o sentimento subjectivo da certeza que uma pessoa tem acerca de uma

memória e a exactidão dessa memória. Tambem, contrariamente ao que muitas pessoas pensam, a

hipnose não ajuda à exactidão da memória. Porque o sujeito é extremamente sugestionável

enquanto hipnotizado, a maioria dos países não permitem testemunhos em tribunal feitos sob

hipnose.1 É possivel criar falsas memórias nas pessoas por sugestão, mesmo memórias de vidas

anteriores que nunca foram vividas. Tavris resume o estado actual da investigação da

memória:

A mente não recorda todo o detalhe de um acontecimento, mas apenas alguns dados; preenchemos

o resto baseados no que "deve ter sido". Para um acontecimento ficar guardado a longo prazo,

uma pessoa tem de o perceber, codificar e ensaiá-lo--falar sobre ele--ou ele decai. (Isto

parece ser o mecanismo principal por trás da amnésia infantil, o facto das crianças não

desenvolverem memórias a longo prazo até cerca dos 3 anos) A pesquisa mostra tambem que

mesmo experiencias emocionais que estamos certos nunca esqueceremos--o assassinio de

Kennedy, a explosão do Challenger--tornar-se-ão vagas na memória, e os erros assaltarão o

relato do que permanece.2

Tavris tambem reconta uma história sobre Jean Piaget, o célebre picólogo infantil. Piaget

afirmava que as suas mais antigas memórias eram de ter sido quase raptado com a idade de 2

anos. Recordava detalhes como estar sentado no carro de bébé, ver a enfermeira defender-se

do raptor, arranhões na cara dela, um policia perseguindo o raptor. A história era reforçada

pela enfermeira, os pais e outros que a tinham ouvido. Piaget estava convencido que se

recordava do acontecimento. Contudo, ele nunca aconteceu. Treze anos depois da alegada

tentativa de rapto, a antiga enfermeira escreveu aos pais de Piaget a confessar que tinha

inventado toda a história. Piaget escreveu posteriormente: "Devo portanto ter ouvido,

enquanto criança, o relato desta história... e projectado-a no passado em forma de memória

visual, que era uma memória de uma memória, mas falsa." Bem falado.

Não sabemos exactamente como funciona a memória, embora haja muitos modelos explicatórios.

Alguns destes identificam a memória com funções cerebrais. Num, por exemplo, a memória

diminui com a idade porque os neurónios vão morrendo conforme vamos envelhecendo. Há apenas

três modos de vencer este facto da natureza: 1. descobrir um modo de impedir os neurónios de

morrer; 2. descobrir um modo de estimular o crescimento de novos neurónios; ou 3. fazer os

restantes neurónios trabalharem mais eficientemente. Até agora, as opções 2 e 3 são as mais

prometedoras. Contudo, alguns resultados positivos teem sido obtidos com a estimulação do

crescimento de novas células cerebrais através de implantes fetais. E o Salk Institute tem

relatado que a investigação em neurogénese tem sido encorajadora. Observaram o crescimento

de neurónios no hipocampo de ratos colocados em ambiente estimulante. Investigação

neurologica tambem obteve resultados ao fazer os neurónios trabalharem melhor usando

ampakines, compostos quimicos algumas vezes chamados "drogas de memória." Os primeiros

testes com humanos mostraram excelentes resultados, mas a amostra era demasiado pequena para

justificar alguma conclusão alem de que os estudos deviam ser continuados. Para os que

pensam que a memória é uma função de uma realidade não-fisica, tais resultados devem

provocar alguma reflexão, apesar de pensar que um modelo não-fisico da mente nunca levará a

qualquer investigação que beneficie a humanidade. Para os que postulam que a memória é uma

função cerebral, existe não só um rumo para a investigação, como a esperança de sucesso na

descoberta de algo realmente util.

Por outro lado, um dos mais questionáveis modelos de memória é o que assume que toda a

experiência de uma pessoa é "registada" na memória e que algumas das nossas memórias são

acontecimentos demasiado traumaticos para os querermos recordar. Essas terriveis memórias

são fechadas na alegada "mente inconsciente," i.e., reprimida, para só os recordarmos

emadultos quando algo faz abrir a porta para a mente inconsciente. Quer antes quer depois da

memória reprimida ser chamada, provoca desordens fisicas e mentais na pessoa.

Este modelo de memória é questionavel porque assume que alguem ter problemas a funcionar

como um adulto saudável se deve a traumas de infância reprimidos, e assume que se recordar

um trauma de infância, essa recordação é exacta. O erro não está em que as pessoas não

tenham experiências dolorosas e desagradáveis que não queiram recordar. Nem é errado afirmar

que as crianças teem experiências maravilhosas e/ou brutais para as quais não teem bases

conceptuais ou linguisticas. As crianças são muitas vezes incapazes de compreender o que

experimentam. Como adultos, podem vir a compreender o que lhes aconteceu em criança. As

crianças sofram muitas vezes abusos, reprimem essa experiencia e mais tarde na vida

recordam-na. Não há nenhum mito nisto.

Mas, não há prova de que recordamos tudo o que experimentamos. De facto, há bastantes provas

de que é impossivel guardar todos os elementos conceptuais de uma dada experiencia muito

menos recordarmos todas. Nada prova que todas as memórias de acontecimentos indiqeum que

eles tenham acontecido como recordamos ou que tenham sequer acontecido. E não há qualquer

prova de que a certeza subjectiva quanto à exactidão da memória ou o ser tão real se possa

correlacionar com a sua exactidão. Finalmente, a afirmação de uma conexão causal entre abuso

e saude ou comportamento não permite concluir que doença, mental ou fisica, seja um "sinal"

de ter sofrido abusos.

O grande proclamador deste mito da memória foi Sigmund Freud, que aparentemente sabia que

era um mito. O mito foi expandido na Dianética por L. Ron Hubbard, que aparentemente não se

importava se era ou não um mito mas que culpou todas as desordens mentais e fisicas por

experiencias pré-natais e na infância, experiencias que não podiam ser "gravadas" pela mente

consciente visto a maioria ocorrer antes do cérebro, a mente e a linguagem existirem numa

pessoa.

O mito é a base para uma série de trabalhos pseudocientificossobre abuso de crianças por

auto-proclamados especialistas como Ellen Bass, Laura Davis, Wendy Maltz, Beverly Holman,

Beverly Engel, Mary Jane Williams e E. Sue Blume.3 Através de creinforço comunal muitas

noções empiricas não apoiadas, incluindo a de que metade de todas as mulheres sofreram

abusos sexuais, são tratadas como "factos" por muitas pessoas. A psicóloga Carol Tavris

escreve

No que só pode ser chamado de arranjo incestuoso, os autores destes livros apoiam-se nos

trabalhos dos outros para apioar as suas provas; todos recomnedam ao leitor a consulta dos

livros dos outros. Se um apresentas uma estatistica montada--como "mais de metade de todas

as mulheres são sobreviventes de traumas sexuais da infância"--os numeros são trocados como

cromos e, republicados em cada livro, e posteriormente apresentados como factos. O ciclo de

desinformação, estatisticas erradas e afirmações inválidas menteem-se a si mesmo.4

Uma diferença significativa entre este grupo de especialistas e, digamos, um grupo de

fisicos, é que aqueles especialistas obtiveram o seu estatuto não por treino cientifico mas

por (a) experiencia [foram vitima de abuso ou trataram vitimas de abuso no seu trabalho

social], ou (b) escreveram um livro sobre abuso infantil. Os especialistas de abuso infantil

não são treinados em investigação cientifica, o que, nota Tavris, "não é um comentário à sua

capacidade de escrever ou fazer terapia, mas parece ser uma razão para o seu analfabetismo

cientifico."

Eis algumas das noções não provadas, não cientificas, que são usadas por estes

especialistas: (1)Se duvida de que foi vitima de abuso em criança ou pensa que pode ser a

sua imaginação, isso é um sinal de "sindroma post-incesto" [Blume]. (2) Se não consegue

recordar nenhum momento especifico em que sofreu abusos mas mesmo assim tem uma sensação

estranha de que algum abuso aconteceu, "provavelmente aconteceu" [Bass and Davis]. (3)

Quando uma pessoa não consegue recordar a sua infância ou tem recordações vagas, "o incesto

deve sempre ser considerado como uma possibilidade" [Maltz e Holman]. E, (4) "Se tem alguma

suspeita, alguma memória, por mais vaga que seja, provavelmente aconteceu. É mais provável

que esteja a bloquear essas memórias, negando que algo tenha acontecido." [Engel]

Industrias completas se montaram da histeria que inevitavelmente acompanha acusações de

abusos sexuais de crianças. Hiperzelosos acusadores contrataram hiperzelosos terapeutas para

documentarem os abusos. Terapeutas que normalmente trabalham com crianças que sofreram

abusos foram contratados para descobrir se crianças tinham sido abusadas. Parece interessar

pouco aos acusadores que o terapeuta possa assumir que a criança sofreu abusos. Mas

demasiadas vezes o terapeuta ou o acusador sugere o abuso à criança e esta não só começa a

"recordar" como começa a fantasiar para agradar ao interrogador. A criança pode não

acreditar que nenhum dos acontecimentos que narra tenha acontecido, mas voluntariamente

testemunha as mais horriveis cenas envolvendo pais, avós, professores, amigos e mesmo

estranhos. Se ela começa a acreditar que sofreu realmente os acontecimentos testemunhados

mas implantados na sua mente pelas sugestões do terapeuta ou do acusador, então ela possui

uma falsa memória. Nenhuma pessoa pode condenar um pai ou um professor com base em tal

testemunho.5

Não foram só os terapeutas que trabalham com crianças que teem sido acusados de plantar

falsas memórias de abusos. Tambem os que trabalham com adultos. Terapeutas que usam

hipnoterapia para encorajarem os seus pacientes a "recordar" a infância (ou as vidas

passadas) são especialmente vulneráveis à acusação de sugerirem falsas memórias nos seus

clientes.

Desde Março de 1992, a False Memory Syndrome (FMS) Foundation em Philadelphia reuniu mais de

2.700 casos de pais que relataram falsas acusações como resultado de "memórias" recuperadas

em terapia.6 A FMSF afirma que estes casos incluem cerca de 400 familias que foram acusadas

ou ameaçadas de acusação de abuso infantil.7 Vitimas da acusação falsa pelos seus filhos ou

outros de terem abusado sexualmente deles muitos anos antes estão a ripostar. Laura Pasley,

que trabalha para a policia de Dallas, foi a um terapeuta em 1985 tratar-se de bulimia.

Agora está a processar o terapeuta que a persuadiu que ela sofreu abusos sexuais na

infância. O terapeuta disse-lhe que ela tinha sido abusada e, quando ela se recusou a

acreditar, disse-lhe que ela realmente não se queria curar. Ela queria ficar bem "mais do

que outra coisa" e continuou com o terapeuta. Acabou por "baralhar completamente toda a

terapia" afirma ela. "8 A história dela corre actualmente os tribunais americanos.

Os perigos deste mito da memória são visiveis: não só as memórias falsas são tratadas como

reais, mas as memóris reais de abusos reais podem ser tratadas como falsas memórias,

fornecendo assim uma defesa credível a criminosos autenticos. No fim, ninguem beneficia ao

encorajar uma crença na memória que é falsa. Qualquer que seja a teoria sobre a memória que

se defenda, se não permite examinar provas e tentar de um modo independente verificar

afirmações de abusos recordados, é uma teoria em risco de provocar mais mal do que bem.

Uma variante da memória de não-experiencias é a noção de que uma pessoa pode recordar vidas

passadas. Este mito tem sido perpetuado por relatos de pessoas que, em sonhos ou sob

hipnose, recordam experiencias de pessoas que viveram em épocas passadas. Um caso tipico de

regressão a vidas passadas é o de Bridie Murphy, de quem já falámos o suficiente noutro

lugar.

Então, os relatos de memórias reprimidas devem ser recusados à partida? Claro que não! Mas

temos de tentar corroborar tais memórias com provas e testemunhos independentes antes de

tirar conclusões sobre esses factos, especialmente se abusos ou crimes. Tais relatos devem

ser tomados seriamente e examinados criticamente, dando-lhes toda a atenção e estudo que

devemos dar a qualquer alegação de crime. Mas não devemos apressar o julgamento, quer sobre

a exactidão das memórias quer sobre a relação causal entre experiências passadas e problemas

actuais. Memórias reprimidas durante anos que são subitamente recordadas não devem ser

automaticamente rejeitadas como falsas. Nem devem ser automaticamente aceites como

verdadeiras. Em termos de verificação da sua exactidão, estas memórias devem ser tratadas do

mesmo modo que qualquer outro tipo de memória.

Ver: Bridie Murphy, dianética, hipnose, mente, reincarnação.

Notas

1. Ver Elizabeth Loftus, Eyewitness Testimony, Harvard University Press, 1980. Ver tambem

artigos no Skeptical Inquirer, Vol. XII No. 2, Inverno 1987-88: "The Power of Suggestion on

memória" por Robert A. Baker e "Fantasizing Under Hypnosis: Some Experimental Evidence" por

Peter J. Reveen. Três testemunhas de um assalto armado ensaiado foram hipnotizados por

Reveen. Os seus relatos eram bastante detalhados mas nenhum concordava com o outro e nenhum

se aproximava sequer dos factos reais que narrava.
2. Carol Tavris, "Hysteria and the incest-survivor machine," Sacramento Bee, Forum, 17

Janeiro 1993, p. 1. Tavris é o autor de várias obras de psicologia, incluindo The Mismeasure

of Woman (New York: Simon & Schuster, 1992). Tambem editor de Every Woman's Emotional

Well-being (Garden City, N.Y. : Doubleday, 1986).
3. ibid.
4. ibid.
5. Sim, aconteceu. Numa versão moderna das bruxas de Salem, o caso da escola McMartin

exemplifica o pior na justiça institucional na caça de molestadores de crianças. Ver Mary

Ann Mason, "The McMartin case revisited: the conflict between social work and criminal

justice," [na avaliação da credibilidade de crianças como testemunhas de casos de abuso

sexual] Social Work, v. 36, no. 5 (Set, 1991), pp. 391-396, e Marion Zenn Goldberg, "Child

witnesses: lessons learned from the McMartin trials," Trial, v. 26, no. 10 (Out, 1990), pp.

86-88. Ver tambem Richard Lacayo, "The longest mistrial; the McMartin Pre-School case ends

at last," Time (6 Agosto 1990), p. 28; Frank McConnell, "The trials of television: the

McMartin case," Commonweal (23 Março 1990), pp. 189-190; Douglas J. Besharov, "Protecting

the innocent," National Review (19 Fev 1990), pp. 44-46; Margaret Carlson, "Six years of

trial by torture: children, defendants, jurors and judge were all abused in the wasteful

McMartin case," Time (29 Jan 1990), pp. 26-28; e "The child-abuse trial that left a national

legacy," U.S. News & World Report (29 Jan 1990), p. 8.
6. "`Trauma searches' plant the seed of imagined misery," Joseph de Rivera, The Sacramento

Bee, 18 Maio 1993. De Rivera é um professor de psicologia na Universidade de Clark em

Worcester, Massachusetts, e consultor da False Memory Syndrome Foundation.
7. The Sacramento Bee,18 Março 1993, p. B4. O artigo, "Represed-memory lawsuits spur

backlash from accused," por Claire Cooper descreve a batalha legal em que filho e filha

processam os pais que processam os filhos e os terapeutas dos filhos.
8. ibid.

Links

* False Memory Syndrome Foundation WWW Page
* Recovered Memories or Modern Witch Hunt? by Douglas E. Hill
* Information on Paul Ingram case (of Olympia, Washington)
* Recovered Memory Therapy and False memória Syndrome by John Hochman, M.D.
* Clinicans' Experiences Regarding Recovery of Sexual Abuse Memories
* Witchhunt Information Page
* Streetmap of the Mind
* Neurosciences on the Internet
* Journals from Cold Spring Harbor Laboratory Press on Learning and Memory
* Recovered Memories of Sexual Abuse: Scientific Research & Scholarly Resources by Jim

Hopper, M.A.
* Newton's Apple: Memory for kids of all ages!

Baker, Robert A. Hidden Memories: Voices and Visions From Within (Buffalo, N.Y. : Prometheus

Books, 1992.)

Loftus, Elizabeth F. Memory, Surprising New Insights Into How We Remember and Why We Forget

(Reading, Mass.: Addison-Wesley Pub. Co., 1980).

Loftus, Elizabeth F. Eyewitness Testimony (Cambridge, Mass.: Harvard University Press,

1979).

Loftus, Elizabeth F. and James M.Doyle. Eyewitness Testimony: Civil and Criminal (New York,

N.Y.: Kluwer Law Book Publishers, 1987).

Loftus, Elizabeth and Katherine Ketcham. Witness for the Defense : The Accused, the

Eyewitness, and the Expert Who Puts Memory on Trial (New York: St. Martin's Press, 1991).

Loftus, Elizabeth. The Myth of Repressed Memory (New York: St. Martin's, 1994).

Ofshe, Richard and Ethan Watters. Making Monsters: False Memories, Psychotherapy, and Sexual

Hysteria (New York: Scribner's, 1994).

Schacter, Daniel L. Searching for Memory - the brain, the mind, and the past (New York:

Basic Books, 1996).

Wakefield, Hollida and Ralph Underwager. Return of the Furies - An Investigation into

Recovered Memory Therapy (Peru, Illinois: Open Court Publishing Co., 1994).




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