domingo, 11 de janeiro de 2009

...E PENSAR QUE ISTO É MOTIVO DE MORTES SANGRENTAS!!!!

As Religiões Monoteístas.
Temos o Mesmo Deus Que os Não-Cristãos?
Pelo Padre Basile Sakkas.
"OS POVOS HEBREU, ISLÂMICO E CRISTÃO...essas três expressões de um idêntico monoteísmo,

falam com as vozes mais autênticas e antigas, e mesmo ousadas e confiantes.Porque não seria

possível que o nome do mesmo Deus, ao invés de engendrar uma oposição irreconciliável,

viesse, isso sim, a conduzir ao respeito mútuo, compreensão e coexistência pacífica? Não

deveria a referência ao mesmo Deus, o mesmo Pai, sem prejuízo de discussões teológicas, nos

conduzir a descobrir o que é tão evidente,apesar de tão difícil — que somos todos filhos do

mesmo Pai, e que, portanto, somos todos irmãos?" Papa Paulo VI, La Croix, 11 Ago. 1970.

Na quinta-feira, 2 de abril de 1970, uma grande manifestação religiosa teve lugar em

Genebra. Dentro do quadro da Segunda Conferência da "Associação das Religiões Unidas," os

representantes das religiões alvo foram convidados a se reunir na Catedral de São Pedro.

Essa "oração comum" foi baseada na seguinte motivação: "Os fiéis de todas essas religiões

foram convidados a coexistir no culto do mesmo Deus"! Vejamos se essa afirmação é válida à

luz das Sagradas Escrituras.

Para melhor explicar o assunto, nos limitaremos às três religiões que se seguiram uma a

outra nessa ordem: Judaísmo, Cristianismo, Islamismo. Essas três religiões alegam, de fato,

uma origem comum: como adoradores do Deus de Abraão. Essa é uma opinião largamente espalhada

já que todos reclamam ser a posteridade de Abraão (os judeus e islâmicos segundo a carne e

os Cristãos espiritualmente), nós todos temos como Deus o Deus de Abraão e todos três de nós

adoramos (cada um a seu modo, naturalmente) o mesmo Deus! E, esse mesmo Deus constitui de

alguma forma nosso ponto de unidade e de "mútuo entendimento," e isso nos convida para uma

"relação fraternal," como o Grande Rabino Dr. Safran enfatizou, parafraseando o Salmo: "Ó,

como é bom ver os irmãos sentados juntos..."

Nessa perspectiva é evidente que Jesus Cristo, Deus e Homem, o Filho Co-eterno com o Pai sem

início, Sua Encarnação, Sua Cruz, Sua gloriosa Ressurreição e Sua Segunda e Terrível Vinda —

tornam-se detalhes secundários que não podem impedir que "confraternizemos" com aqueles que

O consideram um "simples profeta" (de acordo com o Corão) ou "o filho de uma prostituta" (de

acordo com certas tradições talmúdicas)! Assim colocaríamos Jesus de Nazaré e Maomé no mesmo

nível. Eu não conheço que Cristão digno do nome poderia admitir isso em sua consciência.

Pode-se dizer que nessas três religiões, olhando sobre o passado, pode-se concordar que

Jesus Cristo foi um ser extraordinário e excepcional e que Ele foi mandado por Deus. Mas

para nós Cristãos, se Jesus Cristo não é Deus, nós não podemos considerá-Lo nem como um

"profeta" nem como alguém mandado por Deus, "mas somente um grande impostor sem comparação,

Que Se proclamou "Filho de Deus," fazendo-Se assim igual a Deus!" (Mc.14: 61-62). De acordo

com essa solução ecumênica de nível supra-confessional, o Deus Trinitário dos Cristãos seria

a mesma coisa que o monoteísmo do Judaísmo, do Islã, dos antigos heréticos seguidores de

Sabélio, dos modernos anti-Trinitários, e de certas seitas Iluministas. Não haveria três

Pessoas em uma Única Divindade, mas uma única Pessoa, imutável para alguns,ou mudando

sucessivamente "máscaras" (Pai, Filho, Espírito Santo) para outros! E não obstante

pretende-se que esse é o "mesmo Deus."

Nesse ponto alguém pode propor ingenuamente: "No entanto, para as três religiões há um ponto

comum: todas as três confessam o Deus Pai!" Mas de acordo com a Santa Fé Ortodoxa, isso é um

absurdo. Nos confessamos sempre: Gloria à Santa, Consubstancial, Vivificante e Indivisível

Trindade. Como poderíamos separar o Pai do Filho quando Jesus Cristo afirma Eu e o Pai somos

Um (Jo. 10:30); e São João o Apóstolo, Evangelista e Teólogo, o Apóstolo do Amor, afirma

claramente: Quem não honra o Filho, não honra o Pai Que O enviou (Jo. 5:23).

Mas mesmo se nós três chamarmos Deus Pai: de quem Ele é realmente o Pai? Para os judeus e os

islâmicos Ele é o Pai dos homens no plano da criação; enquanto para nós Cristãos Ele é o Pai

de nosso Senhor Jesus Cristo por adoção. (Ef.1: 4-5) no plano da redenção. Que semelhança há

ai, então, entre a Divina Paternidade no Cristianismo e nas outras religiões?

Outros podem dizer: "Mas é tudo o mesmo, Abraão adorava o verdadeiro Deus; e os judeus

através de Isaac e os islâmicos através de Hagar são descendentes desse verdadeiro adorador

de Deus." Aqui se deve deixar uma série de coisas claras: Abraão adorou Deus não na forma do

monoteísmo impessoal dos outros, mas na forma da Santíssima Trindade. Nós lemos nas Santas

Escrituras: Depois apareceu-lhe o Senhor nos carvalhais de Manre...e ele inclinou-se à

terra.(Ge. 18:1-2). E sob que forma Abraão adorou Deus? Sob a forma impessoal, ou sob a

forma da Divina Tri-Unidade? Nós Ortodoxos veneramos essa manifestação da Santíssima

Trindade no Velho Testamento, no Dia de Pentecostes, quando nós adornamos nossas igrejas com

galhos representando os antigos carvalhos, e quando nós veneramos no meio deles o ícone dos

Três Anjos, justamente como nosso pai Abraão os venerou! Descendência carnal de Abraão pode

não ter uso se nós não formos regenerados nas águas do Batismo na Fé de Abraão. E a Fé de

Abraão era a Fé em Jesus Cristo, como o próprio Senhor disse: Abraão,vosso Pai, exultou por

ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se (Jo. 8:56). Essa foi também a Fé do Profeta-Rei David,

que ouviu o Pai celestial falando para Seu Filho Consubstancial: Disse o Senhor ao meu

Senhor (Sl.109:1; At. 2:34). Essa foi a Fé dos Três Jovens na fornalha quando eles foram

salvos pelo Filho de Deus (Dan. 3:25); e do Santo Profeta Daniel, que teve a visão das duas

naturezas de Jesus Cristo no Mistério da Encarnação quando o Filho do Homem dirigiu-se para

o Ancião de Dias (Dan. 7:13). Eis ai porque o Senhor, dirigindo-se para a (biologicamente

incontestável) posteridade de Abraão, disse: "Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras

de Abraão."(Jo.8:39), e as "obras" de Deus são para que creiais Naquele Que Ele enviou

(Jo.6: 29).

Quem são então os que constituem a posteridade de Abraão? Os filhos de Isaac segundo a

carne, ou os filhos de Hagar a egípcia? É Isaac ou Ismael a posteridade de Abraão? O que as

Escrituras ensinam pela boca do divino Apóstolo? Ora as promessas foram feitas a Abraão e à

sua posteridade. Não diz:E às posteridades, como falando de muitas, mas como de uma só:E à

tua posteridade, que é Cristo (Ga. 3:16). E, se sois de Cristo, então sois descendência de

Abraão, e herdeiros conforme a promessa (Ga. 3:29). É então em Jesus Cristo que Abraão se

tornou o pai de muitas nações (Ge. 17:5; Ro. 4:17). Depois de tais promessas e tais

certezas, que significam as descendências carnais que Abraão teve? De acordo com As Sagradas

Escrituras, Isaac é considerado como a descendência ou posteridade, mas somente como a

imagem de Jesus Cristo. Oposto a Ismael (o filho de Hagar; Ge. !6:1 e segs.), Isaac nasceu

na miraculosa "liberdade" de uma mãe estéril, que estava em idade avançada e contra as leis

da natureza, similar a nosso Salvador, Que nasceu miraculosamente de uma Virgem. Ele escalou

o monte de Moriá assim como Jesus escalou o Calvário, carregando em Seus ombros o madeiro do

sacrifício. Um anjo liberou Isaac da morte, assim como um anjo rolou a rocha para nos

mostrar que a tumba estava vazia, que o Ressuscitado não mais estava lá. Na hora da oração,

Isaac encontrou Rebeca na planície e conduziu-a para a tenda de sua mãe Sara, assim como

Jesus encontrará Sua Igreja nas nuvens para levá-La para as mansões celestiais, a Nova

Jerusalém, a mui desejada pátria.

Não! Nós, no mínimo não temos o mesmo Deus que os não-Cristãos têm! O sine qua non para

conhecer o Pai, é o Filho: ...quem Me vê a Mim vê o Pai; ...Ninguém vem ao Pai, senão por

Mim (Jo. 14:9 e ¨). Nosso Deus é um Deus Encarnado, Que vimos com nossos olhos, e as nossas

mãos tocaram (1 Jo 1:1). O imaterial tornou-se material para nossa salvação, como diz São

João Damasceno, e Ele Se revelou em nós. Mas quando Ele Se revelou entre os atuais judeus e

islâmicos, de modo que possamos supor que eles conhecem Deus? Se eles têm conhecimento de

Deus fora de Jesus Cristo, então Cristo encarnou, morreu e ressuscitou em vão!

Não, eles não conhecem o Pai. Eles têm concepções a respeito do Pai; mas todas as concepções

acerca do Pai são ídolos, porque concepção é um produto de nossa imaginação, a criação de um

deus à nossa imagem e semelhança. Para nós Cristãos Deus é inconcebível, indescritível e

imaterial, como diz São Basílio o Grande. Para nossa salvação Ele tornou-Se (contanto que

estejamos unidos a Ele) concebido, descrito e material, por revelação no Mistério da

Encarnação de Seu Filho. Para Ele glória pelos séculos dos séculos. Amém. E eis ai porque

São Cipriano de Cartago afirma que quem não tem a Igreja como Mãe, não tem Deus como Pai!

Que Deus nos preserve de Apostasia e da vinda do AntiCristo, de quem os sinais estão se

multiplicando dia a dia. Que Ele nos preserve da grande aflição que mesmo os eleitos não

terão condição de suportar sem a Graça Daquele Que "abreviará" esses dias. E que Ele nos

preserve no "pequeno rebanho," o "remanescente de acordo com a eleição da Graça," para que

como Abraão possamos rejubilar à Luz de Sua Face, pelas orações da Santíssima Mãe de Deus e

Sempre-Virgem Maria, de todas hostes celestes, a nuvem de testemunhas, profetas, mártires,

hierarcas, evangelistas e confessores que foram fiéis até a morte, que derramaram seu sangue

por Cristo, que nos geraram pelo Evangelho de Jesus Cristo nas águas do Batismo. Nós somos

filhos deles—fracos,pecadores,e indignos, seguramente; mas não elevaremos nossas mãos para

um deus estranho. Amém.

Padre Basile Sakkas

La Foi Transmise, 5 Abril, 1970

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