MARIO FERREIRA DOS SANTOS - PALESTRAS- VI
O estudo da caracterologia começou com Fichte, um
filósofo alemão que
trabalhava na polícia. Quando começou a retratar e
fichar as pessoas preocupou-se
com as fisionomias, foi notando que certos criminosos
possuíam certos traços comuns
e então chamou a atenção de vários estudiosos para este
aspecto. Esses estudos
começaram como tudo quanto começa, claudicante,
deficientes, etc., mas com o
tempo foi se desenvolvendo..
Os estudos caracterológicos estão levando os
caracterólogos a estudar a
História e a verificar que os grandes políticos estão
perfeitamente classificados dentro
da caracterologia, que os ditadores possuem certos
traços característicos, etc. O que
quero mostrar é que certas pessoas dadas certas
circunstâncias tem uma tendência
natural a seguir aquele rumo que é próprio do seu
temperamento.
Lombroso também teve um grande papel científico. mas
acontece que ele não
dispunha na época dos elementos que se dispõe hoje. Sua
obra tem um valor mais
histórico do que propriamente científico. Não podemos
nos basear em Lombroso,
digamos assim, num sentido definitivo, mas ele tem uma
função muito grande, porque
trouxe contribuições.
Partindo deste ponto, nós que aceitamos no ser humano,
não um determinismo
absoluto porque seria não só filosoficamente falso como
também antropologicamente
falso, porque o ser humano é capaz de julgar, é capaz de
apreciar, é capaz de
reconhecer os seus próprios erros, é capaz de fazer
análise das suas próprias ações,
podemos dizer que este ser está apto consequentemente a
poder vencer as suas
deficiências e tornar-se amanhã benéfico para a própria
sociedade.
Um dos estudos que aconselho fazerem para o própria bem
pessoal é o estudo
da própria caracterologia, porque ela nos ajuda a vencer
os nossos defeitos. Posso
afirmar aos senhores que eu consegui, tenho muitos
defeitos, mas as minhas virtudes
foram criadas na sua maior parte pelo meu próprio
esforço, eu nasci com todos os
defeitos possíveis, mas venci-os através do conhecimento
das minhas deficiências e
das minhas tendências viciosas, para corrigi-los através
da minha vontade. Foi um
grande sacrifício, mas grande parte auxiliado pelo
próprio conhecimento, porque se eu
não tivesse o conhecimento dessas deficiências também
não teria a possibilidade de
encontrar a solução.
A educação da vontade passa a ser um tema fundamental, a
educação da vontade não
é a educação dos ímpetos, não se deve confundir a
vontade com os ímpetos. O ímpeto,
por exemplo, a orexis, a apetência, que tende para as
coisas não é a vontade.
A vontade é ainda a escolha do bem, a capacidade de
escolher o bem e tender
para este bem, quer dizer, para o bem naturalmente que é
proporcionado ao homem,
porque nem tudo que é bom para um é bom para outro. A
vontade é esta tendência
para o bem; a vontade assistida pelo intelecto se torna
capaz não só de reconhecer
como também de orientar.
Há a volição que pode ser alimentada, pode ser
estimulada, e há processos para
estimulá-la. A volição corresponde a este ímpeto, mas a
vontade é sempre
deliberativa, é propriamente o ato de escolha da seleção
e de marcar o rumo que o
intelecto permite descortinar e segui-la.
Estas características inatas que não sabemos como
modificá-las, mas não
podemos afirmar que são imodificáveis. Temos que admitir
a possibilidade da sua
modificação e a função da ciência médica é precisamente
esta, procurar a solução para
estes casos, para aqueles que são constitucionalmente
deficientes.
Temos que distinguir a vontade da volição, a volição tem
as suas raízes
somáticas, mas a vontade é intelectual, a vontade só
pode ser conquistada pelo
homem depois que atinge um determinado grau. A criança
não tem vontade mas tem
volição, tem desejos, tem ímpetos.
A vontade implica já uma preparação intelectual, daí a
necessidade de preparar
o homem intelectualmente, porque há muitos casos de
neuróticos, como por exemplo,
de certos santos cuja vida é ilustrativa, de terem
vencido certas deficiências e terem
atingido um grau de superioridade extraordinárias.
A vida dos santos é uma parte que merece o estudo dos
psicólogos, porque ali
há exemplos extraordinários de vitórias que homens
exerceram sobre si mesmo. Ainda
não possuímos um conhecimento exato do mecanismo para
que a vontade possa atuar
de maneira segura sobre o temperamento, sobre o caráter
sim, mas sobre o
temperamento é difícil.
Não vamos debater este assunto, mas é suficiente
sabermos que o ser humano
tem meios de poder vencer as suas deficiências, as suas
próprias fraquezas que são os
seus pecados, porque a expressão pecado quer dizer
queda, deficiência. Temos que
lutar para que o homem não seja concupiscente, para que
o homem não seja
malicioso, para que o homem não seja um fraco, para que
o homem não seja um
ignorante.Sobre os valores do brasileiro
Mário Ferreira dos Santos – Palestra no Centro
Convivium, 1967
Realmente o não caracterizar nitidamente os valores pode
levar a preocupações
com pseudos-valores. O homem tomado na sua estaticidade,
na sua natureza, pode
ser considerado no seu valor supremo, atingir a
plenitude da sua vida individual e a
felicidade. Ele quer alcançar o bem supremo e a verdade
suprema, isto é, quer
alcançar a perfeição do bem e a perfeição da verdade.
Acontece que dentro do campo
da prática, da vida prática humana, que é o campo da
sociologia, que é o campo da
economia, que é o campo da ética, que é o campo do
direito, etc., os valores são
estabelecidos pelo homem segundo ele próprio, não há
estaticidade
O cristianismo estabelece valores primordialmente
estáticos, mas há valores
variáveis segundo as condições históricas e segundo o
drama humano. Temos escalas
de valores que variam: ora uns valores estão acima,
outros descem, há reversões de
valores, etc., de maneira que o estudo dos valores tem
que ser sempre na parte
timológica do homem, tem que ser sempre em função da
história, em função do
momento histórico em que ele vive, porque o que valia,
por exemplo, para o grego,
pode não ter valor para nós, o que valia para nós há
duzentos anos , não tem valor
hoje, e assim sucessivamente.
De maneira que o estudo da escala de valores é muito
sério, mas como em
geral esta escala de valores é dada pelo estamento
dominante, é a sociedade que
impõe a sua escala de valores, então consequentemente há
estas mutações. Por
exemplo, toda a sociedade humana em todos os povos, em
todas as épocas passam
por quatro estágios. Todos os ciclos culturais passam
por estes quatro estágios, que
basicamente estão fundados na própria natureza do homem.
Há uma fase em que domina o sacerdote, há uma fase de
predominância do
aristocrata, há uma fase de predominância do empresário
utilitário e há uma da
predominância do César, que seria a aquela que se diz
que é de predominância do
servidor, mas o servidor que representa a classe
inferior em todos os grupos sociais,
ele nunca é o dirigente da sociedade, Marx previu que
ele seria, mas não é, é sempre
alguém que o representa, é sempre alguém que se diz o
seu representante.
Conforme o período que eles dominam estabelecem a sua
escala de valores. É
lógico que na época em que predomina o sacerdote o valor
mais alto são os valores
religiosos; quando predomina os aristocratas os valores
mais altos são os nobres;
quando predomina o empresário utilitário os mais altos
são os valores utilitários, e na
massa dos servidores predomina quase sempre os valores
utilitários também, porque é
imediatista, tem necessidades urgentes para aplacar, não
pode esperar, tem que ter
soluções rápidas, não pode aguardar soluções, de maneira
que por isso mesmo é fácil
de manejar pelos outros, ela é uma massa de manobras
pelos outros por causa das
suas exigências imediatas, urgentes.
A história humana revela sempre a predominância de um
destes três
estamentos. Há um período de predominância do primeiro,
depois o equilíbrio entre o
primeiro e o segundo.
Por exemplo, no ocidente o símbolo do primeiro período é
a basílica; o do
segundo período, o clero e a nobreza, as igrejas de duas
torres, uma torre singela que
representa o clero, com poucos enfeites, e a torre mais
enfeitada que é a torre da
aristocracia; depois vem a do empresário que já perde o
sentido da simbólica porque
não quer acreditar no símbolo, quer entrar diretamente
nas coisas, a simbólica não
tem mais sentido, então faz estes mostrengos de igrejas
que conhecemos, que é um
misto de românico, de gótico, de renascentista, de
barroco. Cada um destes
estamentos no período que domina faz predominar a sua
escala de valores.
A luta toda se resume em impor uma escala de valores.
Por exemplo, a
juventude brasileira por qual escala de valores vai
lutar? Ela precisa saber. Vai pela
utilitária? Pela nobre? Ou pela sagrada? Ela tem que
saber, ela tem que escolher uma
escala de valores pela qual vai lutar, já que tem no
Brasil um papel importante, porque
o Brasil é um país sem elite e a juventude universitária
é a elite.
Que os dirigentes guiam-se pelos valores utilitários não
há a menor dúvida. A
época é própria do capitalismo, que dá esta
predominância. O capitalismo é diferente
dos outros regimes porque deixa viver as outras escalas
de valor, quer dizer, pode-se
preferir as outras, é verdade que a nobreza também
deixava viver outra escala de
valores.
Só o que não deixa viver outra escala é o césar, a única
escala é a dele, é o
período da brutalidade organizada, é o período que se
diz que é de libertação, quando
é justamente aquele que não tem, só tem uma escala, quem
quiser ter uma outra
pode tê-la, mas não pode manifestá-la.
O Brasil não deve se preocupar com os pseudos valores,
quer dizer com aqueles
valores que não são genuinamente nossos, e este é um
tema que merece ser
estudado.Aspectos dos ciclos culturais
Mário Ferreira dos Santos – Palestra no Centro
Convivium, 1967
Estudando as chamadas fases cráticas na História
verificamos que o kratos
político, como força de coesão social e como força super
individual que paira acima dos
grupos sociais, é sempre ambicionado não só pelos
indivíduos como pelos próprios
grupos.
O kratos social é propriamente o poder político que se
estrutura nos ciclos
culturais superiores, naquilo que constitui o "estado" e
que dá uma certa coerência a
sociedade, mas uma coerência fundada na lei política e,
sobretudo, na violência
organizada.
Os ciclo culturais passam por vários períodos com
diversas fases. O juvenil é o
período da formação da cultura e se caracteriza,
sobretudo, pela formação de uma
nova concepção do mundo, que dá o verdadeiro consensus
ao ciclo. Neste primeiro
período temos três fases facilmente observadas na
história.
A primeira é a fase teocrática, na qual a cultura se
estrutura tensionalmente
sobre uma forma teocrática, tem a sua origem na
Divindade, sendo transmitida aos
homens pela figura mística de um iluminado, cuja
personalidade se esfuma entre o
histórico e o lendário, muitas vezes divinizada, mas
esta divindade propriamente não
pertence a fase teocrática, ela pertence a uma fase
anterior, mas vai presidir, vai ser a
figura central de todas as afirmações da teocracia
dominante.
Por exemplo, Rama entre os árias, Maomé entre os árabes,
Moisés entre os
judeus, São Paulo entre os cristãos, Thot ou Hermes
Trismegistos entre os egípcios,
etc. Em torno dessa personagem divina ou em torno da sua
significação representadas
por um corpo estruturado por homens hieráticos ou
santificados que regulam,
cumprem e fazem cumprir a lei, pouco a pouco vai se
estruturando a segunda fase
crática, que é a fase da hierocracia (do gr. hieros,
santo) dos homens santificados.
Aqueles que vão dominar o kratos social são os
representantes e cumpridores
da lei, não quer dizer que estes homens sejam
propriamente os dominantes do poder
estatal, eles são os dominantes do poder em geral da
sociedade, porque o próprio
poder estatal depende desses homens superiores que
representam a última palavra
dentro da nova ordem cíclica que se forma.
Ao redor desses homens sagrados vai constituindo-se um
grupo maior que é
formado de homens virtuosos, homens que tem a virtude e
que, paulatinamente, pela
sua coragem, pela sua impetuosidade na fé promovem uma
força material que dá cada
vez mais impulso a fé, não são apenas sacerdotes são
também homens provindos de
todos os setores, os quais terminam por apossarem-se do
kratos político e estabelecer
a terceira fase do primeiro período que é a fase da
"aretocracia" ( do gr. aretê,
virtude).
Paralelamente formam-se outros estamentos como a
aristocracia, que na posse
do poder econômico aspira também o kratos político, e é
neste momento que se
realiza a primeira grande revolução, a revolução
aristocrática, que ascende ao poder.
Os sacerdotes ainda participam do mesmo, mas cada mais
vez numa situação
secundária.
Neste momento surgem os príncipes. Esta aristocracia (
do gr.aristos, os
melhores) vão a pouco e pouco formando um grupo
escolhido, que em torno dos
príncipes vão constituir o poder e a segunda fase deste
segundo período sobrevem, é a
"oligocracia"(do gr. oligós, escolhido). O kratos fica
em poder de um pequeno grupo
que domina totalmente a sociedade.
Os sacerdotes ainda participam do poder, mas cada vez
mais subordinados, até
que finalmente surge o período de absolutismo da
aristocracia, que é a terceira fase do
segundo período, a "monocracia", quando o poder vai
emanar de um rei todo poderoso
que passa a ser a encarnação do próprio estado.
O estamento seguinte é uma classe social que tendo
conquistado o poder
econômico aspira o poder político, e que chamamos de
burguesia Ela provoca a
segunda grande revolução do ciclo cultural, inaugurando
o terceiro período, a
democracia. Esta pode dar-se ainda com a presença da
própria aristocracia, que neste
caso concede direitos ao terceiro estado.
A proporção que a burguesia vai adquirindo poder, ela
vai sendo dominada por
um grupo mais poderoso, o grupo dos ricos, a plutocracia
(do gr. plutos, rico). Este
grupo vai constituir a segunda fase do terceiro período,
isto é, quando os homens de
negócio passam a ser dirigidos pelo grupo dos mais
ricos. Este grupo vai ceder o poder
a um terceiro grupo, o dos dominadores do dinheiro,
inaugurando a terceira fase do
terceiro ciclo, a "argirocracia"(do gr.argiros, prata).
Neste momento começam a surgir as grandes revoltas
populares, quando
elementos saídos dos vários estamentos passam a agitar
as massas populares
preparando-as para o advento da terceira grande
revolução. Estas massas agitadas
pelos demagogos levam de roldão a ordem social e
inauguram o quarto período, que é
o período da "oclocracia"(do gr. oclos, massa das ruas).
A oclocracia não se mantém no poder, porque nunca as
massas mantém o
poder, começam a surgir homens poderosos, forças
militares que vão se impondo e
que procuram salvar da catástrofe inevitável, da
desordem social.
Ascendem ao poder estes homens que constituem a primeira
fase do quarto
período, os césares, a cesariocracia, que é a segunda
fase do último período e que
prepara inevitavelmente a desordem final do ciclo
cultural e, ao mesmo tempo,
prepara o advento de novas idéias, de uma nova fé, de um
novo "consensus", que virá
inevitavelmente constituir-se na sociedade e junto com
povos sobrevindo de outras
regiões realizar o novo ciclo, uma nova esperança para a
humanidade.
filósofo alemão que
trabalhava na polícia. Quando começou a retratar e
fichar as pessoas preocupou-se
com as fisionomias, foi notando que certos criminosos
possuíam certos traços comuns
e então chamou a atenção de vários estudiosos para este
aspecto. Esses estudos
começaram como tudo quanto começa, claudicante,
deficientes, etc., mas com o
tempo foi se desenvolvendo..
Os estudos caracterológicos estão levando os
caracterólogos a estudar a
História e a verificar que os grandes políticos estão
perfeitamente classificados dentro
da caracterologia, que os ditadores possuem certos
traços característicos, etc. O que
quero mostrar é que certas pessoas dadas certas
circunstâncias tem uma tendência
natural a seguir aquele rumo que é próprio do seu
temperamento.
Lombroso também teve um grande papel científico. mas
acontece que ele não
dispunha na época dos elementos que se dispõe hoje. Sua
obra tem um valor mais
histórico do que propriamente científico. Não podemos
nos basear em Lombroso,
digamos assim, num sentido definitivo, mas ele tem uma
função muito grande, porque
trouxe contribuições.
Partindo deste ponto, nós que aceitamos no ser humano,
não um determinismo
absoluto porque seria não só filosoficamente falso como
também antropologicamente
falso, porque o ser humano é capaz de julgar, é capaz de
apreciar, é capaz de
reconhecer os seus próprios erros, é capaz de fazer
análise das suas próprias ações,
podemos dizer que este ser está apto consequentemente a
poder vencer as suas
deficiências e tornar-se amanhã benéfico para a própria
sociedade.
Um dos estudos que aconselho fazerem para o própria bem
pessoal é o estudo
da própria caracterologia, porque ela nos ajuda a vencer
os nossos defeitos. Posso
afirmar aos senhores que eu consegui, tenho muitos
defeitos, mas as minhas virtudes
foram criadas na sua maior parte pelo meu próprio
esforço, eu nasci com todos os
defeitos possíveis, mas venci-os através do conhecimento
das minhas deficiências e
das minhas tendências viciosas, para corrigi-los através
da minha vontade. Foi um
grande sacrifício, mas grande parte auxiliado pelo
próprio conhecimento, porque se eu
não tivesse o conhecimento dessas deficiências também
não teria a possibilidade de
encontrar a solução.
A educação da vontade passa a ser um tema fundamental, a
educação da vontade não
é a educação dos ímpetos, não se deve confundir a
vontade com os ímpetos. O ímpeto,
por exemplo, a orexis, a apetência, que tende para as
coisas não é a vontade.
A vontade é ainda a escolha do bem, a capacidade de
escolher o bem e tender
para este bem, quer dizer, para o bem naturalmente que é
proporcionado ao homem,
porque nem tudo que é bom para um é bom para outro. A
vontade é esta tendência
para o bem; a vontade assistida pelo intelecto se torna
capaz não só de reconhecer
como também de orientar.
Há a volição que pode ser alimentada, pode ser
estimulada, e há processos para
estimulá-la. A volição corresponde a este ímpeto, mas a
vontade é sempre
deliberativa, é propriamente o ato de escolha da seleção
e de marcar o rumo que o
intelecto permite descortinar e segui-la.
Estas características inatas que não sabemos como
modificá-las, mas não
podemos afirmar que são imodificáveis. Temos que admitir
a possibilidade da sua
modificação e a função da ciência médica é precisamente
esta, procurar a solução para
estes casos, para aqueles que são constitucionalmente
deficientes.
Temos que distinguir a vontade da volição, a volição tem
as suas raízes
somáticas, mas a vontade é intelectual, a vontade só
pode ser conquistada pelo
homem depois que atinge um determinado grau. A criança
não tem vontade mas tem
volição, tem desejos, tem ímpetos.
A vontade implica já uma preparação intelectual, daí a
necessidade de preparar
o homem intelectualmente, porque há muitos casos de
neuróticos, como por exemplo,
de certos santos cuja vida é ilustrativa, de terem
vencido certas deficiências e terem
atingido um grau de superioridade extraordinárias.
A vida dos santos é uma parte que merece o estudo dos
psicólogos, porque ali
há exemplos extraordinários de vitórias que homens
exerceram sobre si mesmo. Ainda
não possuímos um conhecimento exato do mecanismo para
que a vontade possa atuar
de maneira segura sobre o temperamento, sobre o caráter
sim, mas sobre o
temperamento é difícil.
Não vamos debater este assunto, mas é suficiente
sabermos que o ser humano
tem meios de poder vencer as suas deficiências, as suas
próprias fraquezas que são os
seus pecados, porque a expressão pecado quer dizer
queda, deficiência. Temos que
lutar para que o homem não seja concupiscente, para que
o homem não seja
malicioso, para que o homem não seja um fraco, para que
o homem não seja um
ignorante.Sobre os valores do brasileiro
Mário Ferreira dos Santos – Palestra no Centro
Convivium, 1967
Realmente o não caracterizar nitidamente os valores pode
levar a preocupações
com pseudos-valores. O homem tomado na sua estaticidade,
na sua natureza, pode
ser considerado no seu valor supremo, atingir a
plenitude da sua vida individual e a
felicidade. Ele quer alcançar o bem supremo e a verdade
suprema, isto é, quer
alcançar a perfeição do bem e a perfeição da verdade.
Acontece que dentro do campo
da prática, da vida prática humana, que é o campo da
sociologia, que é o campo da
economia, que é o campo da ética, que é o campo do
direito, etc., os valores são
estabelecidos pelo homem segundo ele próprio, não há
estaticidade
O cristianismo estabelece valores primordialmente
estáticos, mas há valores
variáveis segundo as condições históricas e segundo o
drama humano. Temos escalas
de valores que variam: ora uns valores estão acima,
outros descem, há reversões de
valores, etc., de maneira que o estudo dos valores tem
que ser sempre na parte
timológica do homem, tem que ser sempre em função da
história, em função do
momento histórico em que ele vive, porque o que valia,
por exemplo, para o grego,
pode não ter valor para nós, o que valia para nós há
duzentos anos , não tem valor
hoje, e assim sucessivamente.
De maneira que o estudo da escala de valores é muito
sério, mas como em
geral esta escala de valores é dada pelo estamento
dominante, é a sociedade que
impõe a sua escala de valores, então consequentemente há
estas mutações. Por
exemplo, toda a sociedade humana em todos os povos, em
todas as épocas passam
por quatro estágios. Todos os ciclos culturais passam
por estes quatro estágios, que
basicamente estão fundados na própria natureza do homem.
Há uma fase em que domina o sacerdote, há uma fase de
predominância do
aristocrata, há uma fase de predominância do empresário
utilitário e há uma da
predominância do César, que seria a aquela que se diz
que é de predominância do
servidor, mas o servidor que representa a classe
inferior em todos os grupos sociais,
ele nunca é o dirigente da sociedade, Marx previu que
ele seria, mas não é, é sempre
alguém que o representa, é sempre alguém que se diz o
seu representante.
Conforme o período que eles dominam estabelecem a sua
escala de valores. É
lógico que na época em que predomina o sacerdote o valor
mais alto são os valores
religiosos; quando predomina os aristocratas os valores
mais altos são os nobres;
quando predomina o empresário utilitário os mais altos
são os valores utilitários, e na
massa dos servidores predomina quase sempre os valores
utilitários também, porque é
imediatista, tem necessidades urgentes para aplacar, não
pode esperar, tem que ter
soluções rápidas, não pode aguardar soluções, de maneira
que por isso mesmo é fácil
de manejar pelos outros, ela é uma massa de manobras
pelos outros por causa das
suas exigências imediatas, urgentes.
A história humana revela sempre a predominância de um
destes três
estamentos. Há um período de predominância do primeiro,
depois o equilíbrio entre o
primeiro e o segundo.
Por exemplo, no ocidente o símbolo do primeiro período é
a basílica; o do
segundo período, o clero e a nobreza, as igrejas de duas
torres, uma torre singela que
representa o clero, com poucos enfeites, e a torre mais
enfeitada que é a torre da
aristocracia; depois vem a do empresário que já perde o
sentido da simbólica porque
não quer acreditar no símbolo, quer entrar diretamente
nas coisas, a simbólica não
tem mais sentido, então faz estes mostrengos de igrejas
que conhecemos, que é um
misto de românico, de gótico, de renascentista, de
barroco. Cada um destes
estamentos no período que domina faz predominar a sua
escala de valores.
A luta toda se resume em impor uma escala de valores.
Por exemplo, a
juventude brasileira por qual escala de valores vai
lutar? Ela precisa saber. Vai pela
utilitária? Pela nobre? Ou pela sagrada? Ela tem que
saber, ela tem que escolher uma
escala de valores pela qual vai lutar, já que tem no
Brasil um papel importante, porque
o Brasil é um país sem elite e a juventude universitária
é a elite.
Que os dirigentes guiam-se pelos valores utilitários não
há a menor dúvida. A
época é própria do capitalismo, que dá esta
predominância. O capitalismo é diferente
dos outros regimes porque deixa viver as outras escalas
de valor, quer dizer, pode-se
preferir as outras, é verdade que a nobreza também
deixava viver outra escala de
valores.
Só o que não deixa viver outra escala é o césar, a única
escala é a dele, é o
período da brutalidade organizada, é o período que se
diz que é de libertação, quando
é justamente aquele que não tem, só tem uma escala, quem
quiser ter uma outra
pode tê-la, mas não pode manifestá-la.
O Brasil não deve se preocupar com os pseudos valores,
quer dizer com aqueles
valores que não são genuinamente nossos, e este é um
tema que merece ser
estudado.Aspectos dos ciclos culturais
Mário Ferreira dos Santos – Palestra no Centro
Convivium, 1967
Estudando as chamadas fases cráticas na História
verificamos que o kratos
político, como força de coesão social e como força super
individual que paira acima dos
grupos sociais, é sempre ambicionado não só pelos
indivíduos como pelos próprios
grupos.
O kratos social é propriamente o poder político que se
estrutura nos ciclos
culturais superiores, naquilo que constitui o "estado" e
que dá uma certa coerência a
sociedade, mas uma coerência fundada na lei política e,
sobretudo, na violência
organizada.
Os ciclo culturais passam por vários períodos com
diversas fases. O juvenil é o
período da formação da cultura e se caracteriza,
sobretudo, pela formação de uma
nova concepção do mundo, que dá o verdadeiro consensus
ao ciclo. Neste primeiro
período temos três fases facilmente observadas na
história.
A primeira é a fase teocrática, na qual a cultura se
estrutura tensionalmente
sobre uma forma teocrática, tem a sua origem na
Divindade, sendo transmitida aos
homens pela figura mística de um iluminado, cuja
personalidade se esfuma entre o
histórico e o lendário, muitas vezes divinizada, mas
esta divindade propriamente não
pertence a fase teocrática, ela pertence a uma fase
anterior, mas vai presidir, vai ser a
figura central de todas as afirmações da teocracia
dominante.
Por exemplo, Rama entre os árias, Maomé entre os árabes,
Moisés entre os
judeus, São Paulo entre os cristãos, Thot ou Hermes
Trismegistos entre os egípcios,
etc. Em torno dessa personagem divina ou em torno da sua
significação representadas
por um corpo estruturado por homens hieráticos ou
santificados que regulam,
cumprem e fazem cumprir a lei, pouco a pouco vai se
estruturando a segunda fase
crática, que é a fase da hierocracia (do gr. hieros,
santo) dos homens santificados.
Aqueles que vão dominar o kratos social são os
representantes e cumpridores
da lei, não quer dizer que estes homens sejam
propriamente os dominantes do poder
estatal, eles são os dominantes do poder em geral da
sociedade, porque o próprio
poder estatal depende desses homens superiores que
representam a última palavra
dentro da nova ordem cíclica que se forma.
Ao redor desses homens sagrados vai constituindo-se um
grupo maior que é
formado de homens virtuosos, homens que tem a virtude e
que, paulatinamente, pela
sua coragem, pela sua impetuosidade na fé promovem uma
força material que dá cada
vez mais impulso a fé, não são apenas sacerdotes são
também homens provindos de
todos os setores, os quais terminam por apossarem-se do
kratos político e estabelecer
a terceira fase do primeiro período que é a fase da
"aretocracia" ( do gr. aretê,
virtude).
Paralelamente formam-se outros estamentos como a
aristocracia, que na posse
do poder econômico aspira também o kratos político, e é
neste momento que se
realiza a primeira grande revolução, a revolução
aristocrática, que ascende ao poder.
Os sacerdotes ainda participam do mesmo, mas cada mais
vez numa situação
secundária.
Neste momento surgem os príncipes. Esta aristocracia (
do gr.aristos, os
melhores) vão a pouco e pouco formando um grupo
escolhido, que em torno dos
príncipes vão constituir o poder e a segunda fase deste
segundo período sobrevem, é a
"oligocracia"(do gr. oligós, escolhido). O kratos fica
em poder de um pequeno grupo
que domina totalmente a sociedade.
Os sacerdotes ainda participam do poder, mas cada vez
mais subordinados, até
que finalmente surge o período de absolutismo da
aristocracia, que é a terceira fase do
segundo período, a "monocracia", quando o poder vai
emanar de um rei todo poderoso
que passa a ser a encarnação do próprio estado.
O estamento seguinte é uma classe social que tendo
conquistado o poder
econômico aspira o poder político, e que chamamos de
burguesia Ela provoca a
segunda grande revolução do ciclo cultural, inaugurando
o terceiro período, a
democracia. Esta pode dar-se ainda com a presença da
própria aristocracia, que neste
caso concede direitos ao terceiro estado.
A proporção que a burguesia vai adquirindo poder, ela
vai sendo dominada por
um grupo mais poderoso, o grupo dos ricos, a plutocracia
(do gr. plutos, rico). Este
grupo vai constituir a segunda fase do terceiro período,
isto é, quando os homens de
negócio passam a ser dirigidos pelo grupo dos mais
ricos. Este grupo vai ceder o poder
a um terceiro grupo, o dos dominadores do dinheiro,
inaugurando a terceira fase do
terceiro ciclo, a "argirocracia"(do gr.argiros, prata).
Neste momento começam a surgir as grandes revoltas
populares, quando
elementos saídos dos vários estamentos passam a agitar
as massas populares
preparando-as para o advento da terceira grande
revolução. Estas massas agitadas
pelos demagogos levam de roldão a ordem social e
inauguram o quarto período, que é
o período da "oclocracia"(do gr. oclos, massa das ruas).
A oclocracia não se mantém no poder, porque nunca as
massas mantém o
poder, começam a surgir homens poderosos, forças
militares que vão se impondo e
que procuram salvar da catástrofe inevitável, da
desordem social.
Ascendem ao poder estes homens que constituem a primeira
fase do quarto
período, os césares, a cesariocracia, que é a segunda
fase do último período e que
prepara inevitavelmente a desordem final do ciclo
cultural e, ao mesmo tempo,
prepara o advento de novas idéias, de uma nova fé, de um
novo "consensus", que virá
inevitavelmente constituir-se na sociedade e junto com
povos sobrevindo de outras
regiões realizar o novo ciclo, uma nova esperança para a
humanidade.
MARIO FERREIRA DOS SANTOS - PALESTRAS V
Após a vitória da democracia de Atenas, depois dadesastrosa guerra do Peloponeso,
os atenienses resolveram fazer um processo para saber
quais as causas que os tinham
levado a situação catastrófica em que se encontravam.
Concluíram que a desgraça fora
a presença dos sofistas, já que haviam deixado os
germens da dissolução, e a
juventude os colhera!
Quando a nobreza de Atenas perdeu, e ascendeu a
democracia, a luta pelo poder foi
imensa. Como a juventude aspirava ao poder tinha que se
preparar: e os meios para
isso eram a oratória e a eloquência que possibilitavam
uma argumentação para os
debates. Sábios de todas as partes do mundo grego
reuniam-se em Atenas onde
encontraram um mercado ávido.
A juventude pagava, à peso de ouro, suas aulas, no
intuito de poder dispor de uma
argumentação poderosa ante os adversários. A
conseqüência foi a queda da juventude,
como decai em todos os momentos de agitação política,
perdendo suas ligações com a
cultura superior, tornando-se apenas uma massa agitada
que vive de palavras de
ordem.
Os sofistas tinham sido a causa desse estado de coisas e
foi cometido um dos maiores
equívocos da História, já que a culpa foi cair em
Sócrates. Sócrates, que nos seus
primórdios fora um sofista, se libertara e lutava
contra, procurando provar como
aqueles pseudo-sábios não tinham o valor que a juventude
lhes dava.
Foi condenado por esta mesma juventude, constituída de
agitadores, que pediu a sua
morte. E morreu bebendo cicuta! Perpetuou-se, assim, o
grande crime contra a
filosofia de Atenas. O primeiro foi contra Anaxágoras,
acusado de impiedade e do qual
foi exigida, também, a morte.
Posteriormente, observa-se na decadência grega, a
presença de duas concepções que
vão debater, acelerar essa decadência: o estoicismo e o
epicurismo.
O primeiro tem aspectos positivos e grandiosos,
sobretudo na parte ética e na
filosófica, mas como é uma doutrina atéia, não uma
doutrina agnóstica, ajudou a
fomentar a dúvida, a descrença, a falta de fé em algum
princípio, em alguma coisa que
pudesse servir de esteio para a juventude.
O epicurismo, que também não deixava de ser agnóstico,
pois a quase maioria dos
epicuristas era atéia, defendia estas mesmas idéias, só
que propunham quase que um
hedonismo, isto é, a busca e satisfação das paixões.
Encontra-se, no decorrer de todo o processo histórico do
Ocidente, a luta constante
contra os princípios fundamentais da filosofia cristã,
que é feita usando dos mais
indignos processos, ao lado também das infâmias
históricas e filosóficas.
Assim, aqueles que antes proclamavam uma tese, quando
esta passa a ser
incorporada a concepção cristã e considerada uma tese
fundamental, eles passam a
combate-la. Vemos a defesa da razão e sua exaltação na
Revolução Francesa, quando
se prova que a razão é um dos esteios da concepção
cristã, surge, então , o
irracionalismo, a defesa da concepção contrária.
Em todos os tipos agnósticos sobretudo, essa presença
adversativa de dois termos em
oposição é que vão acomodando as condições adversas de
um lado e de outro, sempre
provando o contrário que o outro lado defende, porém
fica a pergunta: como
conseguem, se eles estão errados, deteriorar o que está
certo? Essa é a grande
desgraça da humanidade: o erro tem mais facilidade de
propagar-se do que a verdade,
é mais fácil propagar-se uma infâmia do que uma boa
idéia. É mais fácil destruir do
que construir. Essa é uma das condições humanas e uma
das nossas grandes
impossibilidades.
Havia, porém, alguma razão de combater a concepção
cristã? No atual ciclo não há
uma luta contra aqueles que representam o cristianismo,
mas a Igreja errou ante o
seu desenvolvimento histórico, pois teve momentos onde
foi pecadora. A Igreja
triunfante é a dos bem-aventurados que não existe neste
mundo. O que existe é a
Igreja sofredora, a Igreja pecadora, a que teve seus
momentos altos e os de
depressão profunda. Nela surgiram homens que construíram
obras extraordinárias,
mas também muitos que a destruíram.
Hoje a Igreja está colhendo os frutos desse estado
porque há uma grande cisão
interna. Por mais que ela busque através desse concílio,
no ecumenismo uma
unificação, a cisão é inevitável, porque não consegue
mais vencer os males que foram
semeados por homens que não mereciam chamar-se cristãos.
Encontramo-nos nesta situação: seremos os espectadores e
intérpretes de um grande
final? Ou há possibilidade de transformarmos uma causa
material de uma nova
concepção do mundo e que ainda continue cristã dentro
dos princípios fundamentais
do Cristianismo, que são universais, que representam o
que de mais alto e nobre o
homem alcançou?
Esta pergunta, naturalmente, exige uma resposta. Ela é
difícil, porque os estudos
históricos ainda não são suficientes para que se possa
admitir que o final esteja
próximo. Sem dúvida que a guerra nas condições atuais
poderá traçar definitivamente
este final e os sobreviventes voltarem a barbárie e
assim se fechar o nosso atual ciclo
cultural.
Porém é possível vencer-se esta guerra, evitá-la através
de que meios? Será que o
medo da própria destruição seria capaz de evitar o
conflito? Não cremos. O medo não
é positivo, o medo é uma trepidação do ânimo ante um
perigo eminente e não é
suficientemente forte para impedir as guerras porque,
nunca na história, o medo
impediu alguma coisa. Precisamente é a coragem, muita
coragem, pois só ela nos
torna capaz de enfrentar uma situação difícil. Não
existe a possibilidade de um ciclo
cultural ser “eternamente jovem”?
A História nos mostra que não acreditamos em certo
sentido, por uma razão muito
simples: no decorrer da luta estes estratos sociais, que
se formam e no desgaste das
próprias idéias, no entrechoque das acomodações
adversas, chega-se a um final em
que não há mais capacidade de criar como nos
encontramos, infelizmente, hoje: num
mundo estancado de criação que apenas pode se dedicar a
examinar o que Spengler
chamava de produzido, produto, mas que não tem mais
capacidade de produzir a não
ser no setor da técnica e no da ciência ( no setor de
classificação, de exame) e não na
sua parte criadora.
A Escolástica, que foi sucessora do pensamento grego e
que chegou a ter vultos
eminentes, depois do surgimento de um Santo Anselmo, de
um Alexandre de Hales, de
um São Boaventura, de um Duns Scot, de um São Tomás de
Aquino e, finalmente, da
Escola de Coimbra com seus grandes filósofos, e de
Salamanca, representados por
duas figuras do pensamento desta época, Pedro da Fonseca
e Francisco Suarez, entrou
num certo recesso, numa luta estéril de escolas onde as
tentativas criadoras foram
parcas.
O Cristianismo também pode ser visto por dois ângulos:
estamos vivendo o
cristianismo de Pisces (peixe) e já prenuncia-se o de
Aquário. Peixes foi o símbolo dos
cristãos porque eles se procriam sem conjunção carnal, a
fêmea põe os óvulos e o
macho, depois, os fecunda. Cristo foi tomado como o
simbolizado deste símbolo.
Aquário, na concepção dos antigos, tem o sentido mais
social, se observarmos o de
pisces vemos que é um cristianismo individualista, que
busca a salvação pessoal, não
se propondo a salvação das coletividades. O de Aquário,
é a salvação das
coletividades, é fundamentalmente o amor do homem com o
seu semelhante, com o
próximo, que é a caridade.
Ele só é possível dentro das condições em que vivemos,
pois temos a causa material
(no sentido aristotélico), a formal que seria a cristã,
a final seria o bem coletivo, além
da salvação individual para os que tiverem crenças
religiosas, e encontraríamos a
causa eficiente, dependente da nossa vontade, como seres
livres capazes de realizar
esta idéia.
Este cristianismo, portanto, seria uma possibilidade
para nós e que poderia estancar a
nossa decadência, abrindo as portas para uma “nova visão
do mundo” em que o
homem compreendesse que o seu dever é realizar o máximo
de bem aqui para que
mereça, fora deste mundo, alguma coisa.
Para os que não crêem, para os que não tem a crença e a
fé já, que esta não é algo
que se fabrique, que se imponha, mas nasce
espontaneamente no coração humano,
mesmo aqueles que não tem a fé estariam, no entanto,
neste cristianismo, lutando
pelo bem coletivo, pelo bem de todos, principalmente
pelo do servidor, do homem
simples, do trabalhador da nossa época que nunca, como
agora, foi tão desmoralizado.
Os trabalhadores nunca constituíram uma classe
revolucionária, ao contrário, foram
sempre os que mais auxiliaram as reações na História.
Mas, também, quando chega a
esta degenerescência pouco adianta auxiliá-lo e
esperarmos um gesto de gratidão
porque, aqueles que maiores benefícios fizeram a essa
massa serão os mais
combatidos, os mais perseguidos e, no entanto, os
demagogos, os que melhor a
exploram, que sempre lhes dão migalhas, terão a
aprovação das mesmas multidões.
Assim se deu com as multidões em Roma, na Grécia, na
decadência egípcia, que
sempre apoiaram os que não lhes davam nada, mas que
tinham a habilidade de lhes
dar migalhas.
Estes são os aspectos gerais da decadência. Precisamos é
ter uma consciência deste
estado e compreendermos que, pelas nossas condições
históricas, somos capazes de
dar uma possibilidade nova ao mundo, mas não devemos
desmerecer-nos tanto como
até então o fizemos, pois sofremos de um colonialismo
passivo, que é o mais triste dos
colonialismos.
É o que consiste em não dar valor as nossas próprias
possibilidades e só admitir que é
grande aquilo que vem de fora, consequentemente nos
desmerecemos, e é preciso que
nos estimulemos, que tenhamos fé em nós.
O Brasil, pelas suas condições históricas, porque é um
país que recebeu os povos de
todos os quadrantes do mundo e conseguiu dar uma
convivência entre todos, a mais
harmônica que se conhece na História, pois não há entre
nós nenhum conflito de
caráter racial ou de caráter étnico, isto é raro, e daí
que este povo poderá lançar uma
visão ecumênica, uma concepção universal, porque
qualquer ciclo cultural que se
forme hoje, no mundo, tem que ser ecumênico, universal,
porque a ciência está
abrindo as fronteiras, enfim o conhecimento é universal,
por mais que os políticos
cerrem as fronteiras, façam muros da vergonha, cortinas
de aço, o conhecimento está
penetrando, está atravessando e vai além, e este mundo
se tornará num só.
Nós, brasileiros, somos capazes de viver o equilíbrio
dentro do heterogêneo e seremos
capazes de unir os opostos que se analogarão numa
concepção universal.Sobre a tarefa da filosofia
Mário Ferreira dos Santos – Palestra no Centro
Convivium, 1967
Há muitas pessoas que se admiram que, sendo eu um
filósofo, trate de
matérias pertencentes a tantas e diversas disciplinas,
mas todas elas pertencem a
Filosofia. O que deveria preocupar, impressionar, era
que precisamente eu como
filósofo não fosse capaz de tratar dessas matérias,
porque na filosofia não há
especialização.
O filósofo especialista é uma “contraditio in adjectis”,
porque a filosofia é
universalista, generalista por natureza e uma
especialidade nela só pode haver de
professores de filosofia, mas não de filósofos. Nenhum
grande filósofo foi especialista,
nenhum; todos foram universalistas, todos trataram de
tudo quanto cabe ao campo da
filosofia.
Certa ocasião estava dando uma aula numa faculdade, e um
professor
comentou: “como é que ele pode pensar em aplicar a
teoria das quatro causas de
Aristóteles no problema do socialismo?” Mas não seria eu
filósofo se não fosse capaz
de saber aplicar a teoria das quatro causas também para
interpretar o socialismo.
Por que neste caso que valor tem a filosofia? Ou é ela
um acervo de
conhecimentos de erudição ou apenas um acumulo de dados,
é uma ciência protocolar,
é uma ciência de fichário? Absolutamente, não é isto, se
pensam que ela é isto estão
completamente enganados, a filosofia tem que dar esta
capacidade universalista e
captar tudo sobre o ângulo da sua universalidade além do
ângulo também da sua
particularidade, e o filósofo tem que ser um homem capaz
de penetrar em todos os
temas e em todos os setores naturalmente onde cabe a
filosofia tratar.
Se me vierem fazer perguntas em sociologia ou em
economia que são
específicas da economia, se me perguntarem, por exemplo,
qual foi a produção de
bezerros na Holanda em 1965, eu não posso saber e nem me
interessa ter este
conhecimento. O que me interessa é ter o aspecto
universal da produção agrícola ou
agrária ou pecuária da Holanda; isto é que é filosofia.
Portanto não se devem espantar de eu proceder assim,
porque se não soubesse
aplicar a dialética em qualquer disciplina, não pudesse
aplicar a metafísica em
qualquer disciplina, em suma, se não aplicar a Matese em
qualquer disciplina eu não
seria filósofo. Ser um mero professor de filosofia eu
não sou, posso dar aulas de
filosofia, dar aulas especializadas, mas não sou
propriamente um professor de
filosofia, sou um filósofo, tenho uma obra realizada e
esta obra está publicada.
Tenho oitenta e cinco livros publicados, e tenho mais a
publicar. Queria
estabelecer este ponto porque sei que como predomina nas
escolas e nas
universidades, infelizmente, o espírito do especialismo,
que desde que entrou só serviu
para perturbar o desenvolvimento da cultura humana e
fazer com que estes três
séculos sejam os três séculos mais estéreis do
pensamento humano, eu sei que este
espírito influi na juventude que não está devidamente
preparada e não sabe como
reagir a esta maneira de ver.
Podem verificar na história da filosofia que os grandes
filósofos, não os
pseudamente grandes filósofos, não daqueles que são
incensados por uma publicidade
mal intencionada, mas dos grandes filósofos na história
da humanidade, todos eles
foram universalistas e trataram mateticamente, digamos
assim, de todas as matérias.
Hoje vamos estabelecer que o auditório proponha as
matérias sobre temas de
filosofia ou de qualquer outro. Darei as respostas
dentro das minhas possibilidades.
Um fato que gostaria de ressaltar é o pouco interesse
nosso pelos problemas
brasileiros.
Eu só queria que os brasileiros cuidassem dos seus
problemas assim como o
cubano cuida dos seus, como o americano cuida dos seus e
assim por diante. Os
outros povos cuidam dos seus problemas, mas nós achamos
que os nossos são
secundários e não queremos tomar consciência do risco
que estamos correndo e do
destino que nos ameaça, porque marchamos para nos
tornarmos um país miserável, e
temos de lutar para isso não acontecer.
Outro fato que gostaria de ressaltar foi o que aconteceu
na década de 1920 a
1930, uma década das mais tristes para a humanidade,
porque foi a grande década da
decepção em conseqüência da guerra de 14-18, em que
houve uma revolta sobretudo
nos artistas e literatos do mundo inteiro contra todos
os cânones do passado, mas uma
revolta indiscriminada e desorientada.
Tivemos no Brasil um acontecimento muito exaltado, que
foi porém uma cópia
dos movimentos de rebeldia européia que foi a chamada
Semana da Arte Moderna. Foi
uma campanha que se fez no Brasil para tirar do
brasileiro a confiança em si próprio,
durante a qual se combateu qualquer motivo de orgulho
sobre as nossas coisas, sobre
as nossas possibilidades.
Ela destruiu todo o nosso passado, a ponto que a
juventude de 30 para cá ser
completamente desconhecedora do passado brasileiro,
julgando que fomos sempre um
povo como somos hoje, sem líderes, sem elites
intelectuais a altura, sem valores, um
deserto de homens. Mas nós não fomos um deserto de
homens, tivemos grandes
cabeças, mas a campanha foi tão bem feita que destruiu
nossa confiança, é preciso
olhar este aspecto negativo que foi o movimento chamado
modernista.
Por um lado lutou-se pela libertação do artistas, não
sei se esta libertação foi
positiva, pois o artista atual encontra-se em estado de
angústia, a libertação não lhes
trouxe nenhuma sublimação, nenhuma elevação. O que temos
que compreender é que
nem tanto a terra nem tanto ao mar, que havia
necessidade de se fugir ao
academismo, que havia necessidade de fugir a certa
canonicidade falsa que a arte de
então estava impondo nas escolas de Belas-Artes, mas
também não havia necessidade
de se cair nos exageros que se tombou.
E hoje o artista é um desesperado em busca do que ele
não sabe o que é, e que
não encontra também, senão por um tempo muito restrito,
uma satisfação muito
passageira. Na época da Semana de Arte Moderna eu era
estudante e vivi
intensamente aquele momento. Não aderi a ela porque
queria defender o que era bom
no passado, porque destruímos no Brasil figuras de
grande valor que ficaram
completamente desconhecidas, e eram homens de talento e
que realizaram uma
grande obra literária, para se exaltar mediocridades que
não mereciam a propaganda
que depois vieram ter. Os que sobreviveram foram aqueles
que realmente tinham
valor.
Tive aqui oportunidade de perguntar aos presentes qual
era o ideal do povo
brasileiro e não houve ninguém que me respondesse. Todos
os povos tem um ideal,
todos pretendem alguma coisa, só nós é que não temos.
Será que vamos continuar
assim? E se continuarmos assim vamos marchar para nos
tornarmos um país fellah...
Por que o Brasil foi perdendo a confiança em si mesmo?
Por que passamos a
olhar apenas o estrangeiro, a valorizar apenas aquilo
que pertence aos outros? As
nossas elites nos traíram, deixaram de ser brasileiras
para serem francesas, inglesas,
americanas, italianas ou alemãs, mas brasileiras não.
Vejam as nossas escolas, só tem valor o que é
estrangeiro, parece que o
brasileiro nunca foi capaz de fazer nada, porque também
não se conhece o que os
brasileiros fizeram. Há um hiato completo, poucos sabem
o que foi o Brasil antes de
30, e poucos conhecem os valores de hoje. Há necessidade
de nossas elites, nossa
universidade começar a visualizar o pensamento
brasileiro de modo diferente.Os ciclos culturais da
humanidade
Mário Ferreira dos Santos – Palestra no Centro
Convívium, 1967
Ao examinar a História verifica-se de que sempre há,
vamos chamar
provisoriamente, um estamento social, para não dar um
caráter assim de classe muito
específico, porque são termos já sociológicos que exigem
naturalmente um exame
mais aprofundado, há sempre um estamento social que
predomina, que dispõe do
poder social e que naturalmente marca a direção da
própria sociedade, segundo,
sobretudo, os seus interesses. Isto a História registra.
E registra também de uma maneira clara, sem exceção
alguma, a presença pelo
menos de quatro estamentos fundamentais que são: o
clero, porque sempre há uma
religião em todo ciclo cultural e o clero tem uma fase
de poder absoluto; a nobreza; o
homem de negócios, que é o empresário econômico e
utilitário, que também tem a sua
fase de domínio, político e social; e finalmente a
grande massa de servidores, os quais
jamais participam do poder, estão sempre fora do poder.
O que se verifica em todos os ciclos culturais, sem
exceção, e isso tem um
fundamento também antropológico no próprio homem é que
ora predomina um desses
grupos, desses estamentos, ora eles se associam,
participam do poder, dividem entre
si o mesmo e a proporção que um assume o poder tende a
absorvê-lo, a monopolizálo,
e a subordinar completamente os outros estamentos.
Assim, por exemplo, o clero tem um período de poder, que
ele participa com a
nobreza, mas esta em menor escala. Finalmente vem uma
revolução da nobreza, como
foi por exemplo as investiduras do ocidente, os nobres
assumem ao poder político e ao
poder econômico, o clero subordina-se, pouco a pouco,
até o pleno domínio da
nobreza, que é o absolutismo.
E, finalmente, o homem de negócios vai por sua vez
ascendendo, como
economicamente vai se tornando poderoso, ele quer também
o poder político ou
participar dele. Todos eles usam para manter o seu poder
apoiar-se no servidor, que é
sempre demagogicamente tratado para servir de esteio a
estes estamentos.
Ora acontece, às vezes, que a nobreza e o clero
participam quase igualmente
do poder; outras ocasiões o clero vai cada vez
diminuindo de poder, a nobreza vai
ascendendo; mas por sua vez o homem de negócios também
vai alcançando o poder
econômico e vai participando do poder político, até que
se dão aquelas revoluções.
A primeira grande revolução é a da nobreza, quando a
nobreza assume a todo o
poder; a segunda grande revolução é sempre a revolução
burguesa, chamada
burguesa por nós no ocidente.
O homem de negócio quando dispõe de poder econômico
procura também
dispor do poder político, e neste caso ele assume todo o
poder, sempre apoiando-se na
massa, até que finalmente as massas agitadas pelos
trânsfugas destas, trânsfugas
deste estamento, quer dizer, uma parte do clero, que se
torna rebelde, uma parte da
nobreza que se torna rebelde, uma parte descendente
também do próprio empresário
que se torna rebelde, agitam as massas para as grandes
eclosões populares, mas
nestas eclosões são prometidas a massa o poder,
dizendo-se, já que todos os
estamentos participaram do poder, vai chegar a vez das
massas.
Mas esta vez nunca chega na História, e a razão é muito
simples, porque as
massas nunca estão devidamente preparadas, não estão
devidamente organizadas,
nem elas tem nem dispõem do conhecimento e dos meios
suficientes, sobretudo
intelectuais para assumir o poder social.
Então este é o momento que surgem os césares, que é
precisamente um
instante de decadência social, instante que surgem os
ditadores, provindos da própria
massa, muitos deles, como trânsfugas desses estamentos.
Esses movimentos são inevitáveis e a História
registra-os constantemente. Isso
se explica e é muito natural, porque se partirmos do
exame antropológico,
verificaremos que o ser humano é um ser capaz de
estimar, de avaliar, de comparar
valores, de preferir, de preterir, não é um ser que
apenas é movido pelos seus
instintos, mas é movido também pelas suas apreciações
axiológicas, pelos valores e
pela capacidade intelectual, por ser um ser inteligente,
tem uma capacidade de
penetrar mais profundamente nas coisas.
Quando busca as coisas como símbolos do simbolizado, ele
tem naturalmente
uma tendência religiosa. Como é naturalmente um ser
capaz de avaliar, capaz de
sentir valores, é também capaz de super prestigiar-se,
de dar a si mesmo maiores
valores, tem consequentemente uma tendência para a
aristocracia.
Como é criador, como é capaz de inventar, de criar, de
usar meios para atingir
determinados fins, também tem tendência para se tornar
empresário utilitário, ser um
realizador. E, finalmente, todo ser humano,
necessariamente, presta serviços, se não a
si mas também aos outros, de maneira que todos nós no
fundo somos um tanto
religiosos, um tanto aristocratas, um tanto utilitários
e um tanto servidores.
Nos tipos humanos, uns são mais, outros menos. Quando
escrevi minha obra “O
Problema Social”, fiz uma interpretação da História de
uma maneira completamente
distinta do que até então se havia interpretado.
Muito embora a minha concepção não seja original, porque
esta concepção já
foi exposta pelos egípcios, pelos hindus, e também no
ocidente, embora não tinha sido
desenvolvida, procurei colocar dentro da interpretação
da História o exame do
problema caracterológico, isto parece aos olhos de
alguns como uma audácia da minha
parte, sem fundamento.
Posso dizer que a última novidade na França é
interpretar a História como eu a
interpretei. Os autores franceses estão publicando
livros neste sentido, mostrando a
necessidade do estudo da caracterologia no estudo dos
tipos humanos, que estes
estamentos estão sobretudo fundados na própria
caracterologia, são tipos humanos
que pelas suas condições psicológicas, podem ser
opressores dos outros, se lhes
derem oportunidades para oprimir.
Uma vitória sobre o temperamento é sempre possível,
naturalmente em
termos, depende também do estado em que a pessoa se
encontra. Um homem
medianamente normal pode pela própria vontade melhorar.
A questão da
personalidade é um dos temas mais importantes na
psicologia, mas infelizmente a
psicologia moderna comete erros muito graves.
Dois erros fundamentais da psicologia moderna que já
eram atacados por
Aristóteles no seu tempo. Um deles quando Aristóteles
criticou Sócrates mostrando
que o “conhece-te a ti mesmo” não era suficiente, porque
não bastava o ser humano
conhecer-se a si mesmo para que estivesse apto a vencer
as suas deficiências, havia
necessidade que soubesse também como vencer as suas
deficiências.
Quando Freud julgou que bastava o conhecimento das
causas determinantes de
qualquer neurose nós estaríamos libertados desta neurose
cometeu um erro, porque
esqueceu que há também a necessidade de um trabalho
pessoal, há necessidade
também de que o paciente lute por meios próprios ou com
apoio médico para poder
vencer aquela deficiência.
Outro ponto importante na psicologia foi confundir, isto
já os antigos chamavam
muito a atenção, a chamado personalidade empírica com a
personalidade ontológica,
porque ontologicamente cada um de nós tem uma
personalidade, mas empiricamente
podemos ter várias personalidades.
Muitos poderão, por exemplo, numa reunião, começando a
ter contato com
outros, modificar até o seu modo de sentir naquele
local, naquele ambiente que está, e
noutro ambiente pode manifestar até idéias contrárias as
que anteriormente tinha
manifestado, por uma fraqueza de sua própria
personalidade, e pode também dentro
de certas circunstâncias, em certos ambientes
manifestar-se nele uma personalidade
empírica, da qual não tem a devida consciência,
posteriormente, como são os casos de
dupla, tripla personalidade. Mas não que a personalidade
ontológica se modifique, esta
permanece a mesma.
O estudo da personalidade ontológica que os antigos
faziam em grande
profundidade, e da personalidade empírica ou
empirológica, como eles chamavam,
levava-os a subministrar sugestões aos psiquiatras muito
mais valiosas do que se
julga, por isso digo a aqueles que querem estudar
psicologia, que precisam conhecer
estes trabalhos realizados pelos filósofos, porque eles
dão sugestões extraordinárias
que depois na parte prática, na parte médica, poderão
ser aproveitadas.
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