A REVOLUÇÃO DOS BICHOS – George Orwell
A REVOLUÇÃO DOS BICHOS – George Orwell - com comentários de Luciano, da comunidade Duvido, e indicações de links, por Rosangelo..
Há tempos li um texto de John Pilger, intitulado “Como produzir cidadãos consumidores, mal-informados e conformistas”, bastante interessante, onde li sobre George Orwell, porém somente agora li o texto que dá nome ao tópico.
No texto de John Pilger acima comentado encontrei as seguintes informações:
«Qualquer um que conheça a história sabe que a desobediência é a virtude original do homem.» - Oscar Wilde
“Em viagem pelos EUA, um grupo de soviéticos espantou¬ se porque todos as notícias sobre as questões essenciais eram mais ou menos idênticas. «No nosso país, para obter esse resultado temos uma ditadura, prendemos pessoas, arrancamos as suas unhas. Aqui, vocês não têm nada disso. Então, qual é o vosso segredo? Como vocês fazem?»”
«para ser corrompido pelo totalitarismo, não é necessário viver num país totalitário» - George Orwell
“AS PREVISÕES DE ORWELL
Na introdução de Revolução dos bichos, Orwell descreve como a censura nas sociedades livres é infinitamente mais sofisticada e minuciosa do que nas ditaduras: «As ideias impopulares podem ser passadas em silêncio e os factos incómodos permanecer na sombra sem necessidade de nenhuma proibição oficial». Meio século se passou e a mensagem nada perdeu da sua precisão.
Nada disso sugere uma “conspiração”. Ela nunca é necessária. Os jornalistas e os apresentadores de TV não são diferentes dos historiadores e dos professores: eles interiorizam as prioridades, as modas e as conveniências do poder estabelecido. Como alguns dirigentes nas altas esferas do poder, eles são direccionados ou preparados para descartarem as dúvidas muito devastadoras. Quando o cepticismo é estimulado, não o é em relação ao sistema, mas à competência dos que o dirigem, ou às reacções populares tais como os jornalistas as percebem.
Na imprensa de Robert Murdoch na BBC, as regras não declaradas do clube da mídia moderna não variam muito. Os limites invisíveis das “informações” permitem que falsas premissas passem por bom senso ou que as fraudes oficiais sejam difundidas e ampliadas. A sorte de sociedades inteiras é decidida de acordo com a sua utilidade para “nós”, termo frequentemente utilizado pelo poder ocidental, e que veicula a sua porção de narcisismo, de linguagem equivocada e de omissões abertas. Bons e maus terroristas, vítimas dignas ou não de interesse. Essa ortodoxia, explica Richard Falk, professor de relações internacionais na Universidade de Princeton, é transmitida «através de um anteparo moral e legal em um único sentido. Uma imagem positiva dos valores ocidentais e de uma inocência ameaçada justifica uma campanha de violência política sem limite».”
«Quando a verdade é substituída pelo silêncio, o silêncio é uma mentira» - poeta soviético Evgeni Evtoushenko “Em 1983, os principais meios de comunicação pertenciam a cinquenta sociedades. Em 2002, contávamos apenas com nove conglomerados transnacionais. Dirigida pelo filho do secretário de Estado, Colin Powell, a Comissão Federal das Comunicações (FCC, conforme a sigla em inglês) dedica¬ se a facilitar o controle de 90% da audiência norte-americana pela Fox, de Murdoch, e quatro outros conglomerados [3]. Em Fevereiro de 2004, Murdoch previa que, daqui a três anos, haverá apenas três grandes sociedades de meios de comunicação, entre elas a sua. Os vinte sites mais visitados na Internet pertencem a sociedades como Fox, Disney, AOL Time Warner, Viacom e um punhado de gigantes desse género; os catorze maiores absorvem 60% do tempo que os norte-americanos passam na tela. A sua ambição comum: produzir cidadãos mal informados e conformistas. Consumidores obedientes. “.
Caso queiram ler o texto completo de John Pilger o link era:.
http://www.infoalternativa.org/autores/pilger/pilger002.htm
.
ou tentem no Google, com o nome do texto de Pilger entre aspas, pois eu não lembro mais como cheguei até ele.
Voltando ao Texto “A Revolta dos Bichos” de George Orwell (Eric Arthur Blair 1903 – 1950)...
Essa é a “apresentação” contida no arquivo PDF do site geocities:
“George Orwell foi um libertário. "A Revolução dos Bichos", em suas metáforas, revela uma aversão a toda espécie de autoritarismo, seja ele familiar, comunitário, estatal, capitalista ou comunista. A obra é de uma genial atualidade. Apesar de tudo o que alguns poucos homens já fizeram e lutaram, ainda estamos e vivemos sob os que insistem em dominar aquém da ética e além da lei. Sejamos diligentes, a luta continua. Um dia conseguiremos distinguir a diferença entre porcos e homens.” - Nélson Jahr Garcia .O Garcia não disse, mas ele não deixou de fora os pregadores religiosos, na figura do corvo Moisés e nem a figura dos crentes, que acreditam nos políticos e nos religiosos, sendo transformados em repetidores de slogans e que foram “personalizados” (ou seria animalizados rsrs) pelas ovelhas.
Para os líderes políticos ele reservou - os porcos; para as forças repressivas - os cachorros; para os dedicados trabalhadores de boa fé e de intelecto limitado - os cavalos e foi representando os demais segmentos da sociedade com outros animais.
Alíás, um momento tocante do conto é quando o cavalo Sansão, doente devido ao excesso de dedicação ao trabalho, e sempre mentindo para si, querendo acreditar que tudo está bem, repetindo palavras que imaginou para convencer a si mesmo, foi levado para “atendimento” na clínica veterinária.
Karl Marx teria sido o porco “Major”, Leon Trotski o porco “Bola-de-Neve” e Lênin o porco “Napoleão”. Quem conheça mais sobre a revolução comunista talvez identifique mais alguns personagens históricos do conto.
Outro ponto interessante é como os “7 mandamentos” iam sendo “adaptados” de acordo à conveniência dos porcos, até que no fim havia só um único mandamento.
Tem também ao final a seguinte citação do Sr. Pilkington na reunião de confraternização com os porcos: "Se os senhores têm que lutar com os seus animais inferiores, nós temos as nossas classes inferiores".
Leia e veja como George Orwell, apesar de haver morrido em 1950, já previa o que aconteceria entre os líderes comunistas e os líderes capitalistas, que ocorreu muito depois de sua morte e continua ocorrendo. Inclusive o retorno do corvo (religião) aos países comunistas.
Digitem no Google “orwell AND revolução dos bichos” para encontrarem o site geocities com link do arquivo PDF e boa leitura.
Comunidades no Orkut.
Encontrei duas comunidades sobre George Orwell no Orkut
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=1007543.
Nesse tópico fala sobre “Major” ser Lênin:
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=1007543&tid=23674972
Está correto “Major” ser Lênin, pois era russo e do tempo da revolução comunista (K. Marx era alemão)..
Segunda comunidade:
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=23409809.
link: torrent
http://turcoluis.blogspot.com/2008/03/revoluo-dos-bichos-animal-farm.html
Somente agora descobri o George Orwell, mas foi uma pessoa que enxergou a verdade e, de uma forma muito inteligente e corajosa, deixou um registro para a posteridade, que fica difícil de ser proibido, porque ele soube como escrever sob a forma de metáforas.
Porém nem todos conseguem entender toda a mensagem que ele escreveu. Tem muita coisa que ele deixou sutilmente nas entre-linhas, que somente quem já tenha uma visão do que ocorre perceberá; alguma coisa sempre pode passar despercebida. Uma coisa é certa os nomes que ele dava aos personagens são extremamente indicativos.
Algo que eu já havia deduzido, ele deixou nas entre-linhas de outro livro intitulado “1984”, do qual eu só li o resumo encontrado no site duplipensar (termo por ele criado).
http://www.duplipensar.net/george-orwell/1984-orwell-resumo.html
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Um outro resumo de “1984” pode ser encontrado também na Wikipédia
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http://pt.wikipedia.org/wiki/1984_(livro)
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de lá eu copiei parte do texto que abaixo coloco e onde se vê a visão dos recursos futuristas dos dias atuais:
“De fato, Mil Novecentos e Oitenta e Quatro é uma metáfora sobre o poder e as sociedades modernas. George Orwell escreveu-o animado de um sentido de urgência, para avisar os seus contemporâneos e as gerações futuras do perigo que corriam, e lutou desesperadamente contra a morte - sofria de tuberculose - para poder acabá-lo. Ele foi um dos primeiros simpatizantes ocidentais da esquerda que percebeu para onde o stalinismo caminhava e é aí que ele vai buscar a inspiração - lendo Mil Novecentos e Oitenta e Quatro percebe-se que o Grande Irmão é baseado na visão de Orwell sobre os totalitarismos de vária índole que dominavam a Europa e Ásia na época. Stalin, também Hitler e Churchill foram algumas das figuras que inspiraram Orwell a escrever o romance.
O estado controlava o pensamento dos cidadãos, entre muitos outros meios, pela manipulação da língua. Os especialistas do Ministério da Verdade criaram a Novilíngua, uma língua ainda em construção, que quando estivesse finalmente completa impediria a expressão de qualquer opinião contrária ao regime. Uma das mais curiosas palavras da Novilíngua é a palavra duplipensar que corresponde a um conceito segundo no qual é possível o individuo conviver simultaneamente com duas crenças diametralmente opostas e aceitar a ambas.
Outra palavra da Novilíngua era Teletela, nome dado a um dispositivo através do qual o Estado vigiava cada cidadão. A Teletela era como que um televisor bidirecional, isto é, que permitia tanto ver quanto ser visto.
No livro, Orwell expõe uma teoria da Guerra. Segundo ele, o objectivo da guerra não é vencer o inimigo nem lutar por uma causa. O objetivo da guerra é manter o poder das classes altas, limitando o acesso à educação, à cultura e aos bens materiais das classes baixas. A guerra serve para destruir os bens materiais produzidos pelos pobres e para impedir que eles acumulem cultura e riqueza e se tornem uma ameaça aos poderosos.”
Sobre a palavra duplipensar um membro (Victor), de uma das comunidades cujos links postei anteriormente, colocou o seguinte:
Na descrição do próprio autor:
"Saber e não saber, ter consciência de completa veracidade ao exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas, defender simultaneamente duas opiniões opostas, sabendo-as contraditórias e ainda assim acreditando em ambas; usar a lógica contra a lógica, repudiar a moralidade em nome da moralidade, crer na impossibilidade da Democracia e que o Partido era o guardião da Democracia; esquecer tudo quanto fosse necessário esquecer, trazê-lo à memória prontamente no momento preciso, e depois torná-lo a esquecer; e acima de tudo, aplicar o próprio processo ao processo. Essa era a sutileza derradeira: induzir conscientemente a inconsciência, e então, tornar-se inconsciente do ato de hipnose que se acabava de realizar. Até para compreender a palavra "duplipensar" era necessário usar o duplipensar."
E também, numa descrição mais resumida:
"Duplipensar é a capacidade de guardar simultaneamente na cabeça duas crenças contraditórias, e aceitá-las ambas."
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